Brasília – Documentos apreendidos pela Polícia Federal (PF) indicam que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde novembro de 2025, assinou em 31 de março deste ano, dentro da Superintendência da PF na capital federal, um contrato para produzir um documentário provisoriamente intitulado “Caso Banco Master”. A iniciativa buscava divulgar a versão do próprio Vorcaro sobre o escândalo que levou o Banco Central (BC) a liquidar a instituição financeira.
Contrato localizado na 10ª fase da Compliance Zero
A minuta foi encontrada em 9 de julho, durante a 10ª etapa da operação Compliance Zero, que teve como alvo o publicitário Thiago Miranda. O documento prevê entrevistas exclusivas, acesso a informações internas e participação direta de Vorcaro na produção ao longo de seis meses, ainda em 2026. A PF informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o material exige análise detalhada para aferir possíveis implicações penais.
Rede de influenciadores para atacar o BC
Na mesma investigação, a PF identificou a contratação de cerca de 40 a 50 perfis de jornalistas, sites e criadores de conteúdo para defender o ex-banqueiro, criticar o BC e sustentar a narrativa de que o Master foi vítima de grandes bancos. Alguns influenciadores teriam recebido até R$ 2 milhões; no total, o chamado “Projeto DV” pode ter custado aproximadamente R$ 8 milhões.
Mensagens coletadas em celulares de Vorcaro e de Miranda apontam que a estratégia ocorreu entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026. Conteúdos publicados por essas páginas repetiam argumentos semelhantes: descrédito do BC, proteção da imagem de Vorcaro e denúncia de suposta perseguição ao Master.
Passaporte de publicitário apreendido
O ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinou em 11 de julho a apreensão do passaporte de Thiago Miranda. O publicitário, que seria responsável pela produção do documentário, é investigado também por intermediar recursos de Vorcaro para o filme “Dark Horse”, projeto ligado ao senador Flávio Bolsonaro.
Em nota, a defesa de Miranda sustenta que o profissional sempre atuou dentro da legalidade e nega qualquer ação ilícita ou tentativa de pressionar autoridades. Os advogados alegam que a investigação não permite conclusões antecipadas e asseguram colaboração com a PF.
Suspeita de fuga para os Emirados Árabes
Relatórios da PF enviados ao STF reforçam a suspeita de que Vorcaro pretendia deixar o país em 17 de novembro de 2025, véspera da operação que resultou em sua primeira prisão no Aeroporto de Guarulhos. Informações repassadas por um grupo de confiança, apelidado de “A Turma”, teriam alertado o ex-banqueiro sobre a ação policial.
A defesa de Vorcaro nega qualquer plano de fuga e afirma que a viagem tinha caráter profissional, destinada a negociar a venda do Master a investidores estrangeiros. Os advogados reiteram que o ex-banqueiro se coloca à disposição da Justiça.
Apesar dos novos desdobramentos, a assinatura de contratos enquanto detido não configura delito. A PF, contudo, investiga se a produção audiovisual e a mobilização de influenciadores tiveram como finalidade interferir em processos judiciais ou administrativos.
Com informações de Gazeta do Povo