Belo Horizonte (MG) – Raptado pelo próprio pai aos 1 ano e 9 meses, mantido em cárcere e submetido a maus-tratos durante toda a infância, Ismael Barbosa converteu uma trajetória de violência em ferramenta de cura para outras pessoas. Hoje ele é CEO da Allcance Consultoria, analista de comportamento humano e criador do Método PH+, que alia neuroplasticidade, psicologia e princípios bíblicos.
Infância de isolamento e violência
Segundo Barbosa, o pai mudou-se sucessivamente para regiões rurais de Minas Gerais para esconder o crime e impedir que a mãe encontrasse os filhos. A irmã de Ismael tinha 9 meses no momento do sequestro. No ambiente de isolamento, os dois e outra criança de 11 anos sofreram abusos físicos e sexuais, vivendo em extrema pobreza.
Fuga e anos nas ruas
Na adolescência, Ismael escapou do cativeiro e chegou a Belo Horizonte, onde permaneceu em situação de rua por cerca de quatro anos. Sem família ou documentos confiáveis — o pai havia adulterado seu registro e retirado o nome da mãe — ele sobreviveu de restos de comida e alojou-se em canteiros de obras e escolas.
Virada após encontro com policial
A mudança começou quando um policial militar o abordou durante patrulha. Percebendo o interesse do jovem nos estudos, o agente o levou a uma igreja, falou-lhe de Jesus e, posteriormente, adotou-o. Para Ismael, o contato com a fé cristã foi decisivo para romper com a dor e iniciar o processo de perdão ao pai.
Formação acadêmica e carreira
Com apoio da nova família, Barbosa concluiu os ensinos fundamental e médio, graduou-se em Ciências Contábeis e Administração e passou a atuar em planejamento estratégico. Há 21 anos no segmento empresarial e 17 pesquisando comportamento sob pressão, ele desenvolveu o Método PH+, descrito como “treinamento cerebral” que utiliza exercícios de neuroplasticidade para reorganizar respostas emocionais.
Perdão como chave de libertação
Ismael afirma que o perdão ao pai — hoje falecido — foi indispensável para deixar de “ser governado pela dor”. “Perdoar não foi esquecer, mas quebrar o vínculo com o trauma”, diz. A experiência virou tema central de palestras em igrejas, empresas e eventos da Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno (Adhonep).
Identidade reconstruída
Entre as revelações posteriores, ele descobriu que uma criança que cresceu consigo também havia sido sequestrada e pertencia à mesma família materna. Além disso, só na escola soube que se chamava Ismael, e não o nome fictício imposto pelo pai. Tais descobertas, relata, consolidaram seu entendimento de que “a identidade essencial não pode ser roubada”.
Atuação atual
Através da Allcance Consultoria, o mineiro ministra cursos sobre desempenho cognitivo e oferece mentoria para líderes e igrejas. Ele sustenta que “um cérebro treinado não reage, decide” e que é possível sair do piloto automático ao criar novas rotas neurais.
Hoje, casado e pai de dois filhos, Ismael Barbosa resume seu propósito: “Ajudar pessoas a voltarem a funcionar por dentro e a decidir, não apenas reagir”.
Com informações de Guiame