A chancelaria ucraniana voltou a analisar o plano de seis pontos apresentado por China e Brasil em maio de 2024 para encerrar a guerra no leste europeu. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Heorhii Tykhyi, confirmou a revisão do documento durante videoconferência com veículos da América Latina na última terça-feira (21).
Reviravolta na posição oficial
Até então, Kyiv rejeitava a iniciativa por ela não exigir a devolução imediata dos territórios ocupados pela Rússia. A reconsideração representa mudança substancial e pode abrir espaço para atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como mediador, já que o governo brasileiro assinou o texto em 2024 ao lado do presidente chinês, Xi Jinping.
Plano em seis pontos
O projeto sino-brasileiro prevê:
- não expansão do conflito;
- retomada de diálogo direto para um cessar-fogo abrangente;
- aumento da assistência humanitária;
- rejeição a armas de destruição em massa;
- proteção a instalações nucleares civis;
- fortalecimento da cooperação econômica global.
Objetivo: abrir canal com Moscou
Segundo Tykhyi, a ideia é usar Brasília e Pequim como interlocutores junto ao Kremlin para viabilizar um cessar-fogo. Autoridades ucranianas avaliam que Moscou evita conversas diretas porque o presidente Vladimir Putin acredita poder conquistar mais território antes de negociar.
Expansão diplomática na América Latina
Como parte da estratégia de buscar apoio no sul global, a Ucrânia planeja abrir seis novas embaixadas latino-americanas até 2028. Quatro já foram inauguradas — Panamá, República Dominicana, Equador e Uruguai — e outras duas, em Guatemala e Guiana, estão em preparação. Kyiv também negocia acordos de reconstrução e cooperação em drones militares, com destaque para tratativas avançadas com Honduras.
Relação com o Brasil
As relações bilaterais ganharam novo impulso após encontro entre Lula e o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky na cúpula do G7, em junho. A chancelaria de Kyiv busca agora nomear um novo embaixador para Brasília a fim de aprofundar o diálogo. Atualmente, a missão diplomática é chefiada interinamente por Oleg Vlasenko.
Com a guerra entrando no quinto ano e sem avanços significativos nas frentes de combate, a revisão do plano sino-brasileiro surge como alternativa para interromper os confrontos e, futuramente, negociar a situação dos territórios ocupados.
Com informações de Gazeta do Povo