O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) adiou na noite desta terça-feira (9) a análise da liminar que barrou a divulgação da pesquisa AtlasIntel (BR-06939/2026), a qual relacionava o pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O julgamento foi interrompido depois que a ministra Estela Aranha solicitou mais tempo para examinar o caso (pedido de vista).
A liminar foi concedida em 31 de maio pelo presidente da Corte, ministro Nunes Marques, que voltou a defender sua decisão. Segundo ele, determinados questionamentos do levantamento poderiam “prejudicar a espontaneidade” das respostas. Marques afirmou ainda que pretende convidar institutos de pesquisa para discutir parâmetros que servirão de precedente em levantamentos futuros.
Debate sobre limites
Sem antecipar voto, o ministro Dias Toffoli declarou que as sondagens eleitorais deveriam ser “totalmente liberadas”, cabendo ao eleitor interpretar os dados. Já o ministro André Mendonça frisou que a deliberação “valerá para Chico e para Francisco” e que as empresas de pesquisa devem colaborar para a imparcialidade do processo eleitoral.
Argumentos das partes
Com autorização do plenário, as partes fizeram sustentações orais de cinco minutos cada. Representando o PL, a advogada Maria Claudia Bucchianeri apontou ausência da íntegra do áudio e da degravação anexadas pela AtlasIntel e sustentou que a lisura das pesquisas interessa a toda a sociedade, não apenas ao partido.
Pelo instituto, o advogado Gualter Rafael Maciel Bezerra defendeu a “metodologia inovadora” do levantamento on-line e disse não haver violação objetiva à legislação eleitoral, mas sim divergência sobre o método aplicado a fato “público e notório”. Ele lembrou que em pesquisa anterior o instituto também questionou a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no carnaval.
Contestação do PL
Na ação, o PL alegou que a AtlasIntel utilizou “estímulos narrativos” negativos antes de perguntar sobre intenção de voto, associando Flávio Bolsonaro a “esquema de fraudes financeiras” e “escândalo” envolvendo o Banco Master. Para o ministro Nunes Marques, a sequência de perguntas extrapolou a neutralidade estatística e poderia “contaminar” as respostas, motivo pelo qual proibiu temporariamente a divulgação do estudo.
Metodologia da AtlasIntel
A pesquisa ouviu 5.032 pessoas por formulário eletrônico entre 13 e 18 de maio de 2026, com margem de erro de 1 ponto percentual e nível de confiança de 95%. Após medir a intenção de voto, o questionário apresentou aos entrevistados um áudio atribuído a Flávio Bolsonaro, divulgado pelo site The Intercept Brasil, no qual ele cobra Vorcaro sobre o financiamento do filme “Dark Horse”. O material foi exibido apenas no item 48, o último do formulário, segundo a empresa.
Em nota, a AtlasIntel afirmou que o uso de conteúdo audiovisual ocorreu somente após a coleta das preferências eleitorais, o que, na avaliação do instituto, afasta qualquer indução nos resultados principais.
Não há previsão de data para a retomada do julgamento.
Com informações de Gazeta do Povo