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STF suspende benefícios recém-aprovados pelo Congresso que ampliavam salários de servidores

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Brasília – Dois dias após o Congresso Nacional aprovar projetos que criam vantagens capazes de elevar vencimentos de servidores legislativos acima do teto constitucional, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de todos os penduricalhos sem respaldo legal pagos nos três Poderes.

A decisão liminar, tomada em 6 de fevereiro de 2026, atinge diretamente os novos benefícios da Câmara dos Deputados e do Senado, que previam adicionais de até 100% sobre o salário-base. O tema ainda será analisado pelo plenário do STF.

O que o Congresso aprovou

Os parlamentares aprovaram duas propostas que concedem:

  • Gratificação de desempenho variando entre 40% e 100% do vencimento básico, condicionada a metas;
  • Licença compensatória que garante um dia de folga a cada três trabalhados, com possibilidade de conversão em indenização — mecanismo que permite remuneração acima do teto e sem Imposto de Renda.

Estimativas do Centro de Liderança Pública (CLP) apontam impacto potencial de R$ 4,3 bilhões por ano. Na Lei Orçamentária Anual de 2026 estão reservados R$ 592 milhões para reajustes na Câmara e R$ 198 milhões no Senado.

Argumentos do STF

Dino afirmou que apenas vantagens previstas em lei podem ficar fora do limite remuneratório, hoje de R$ 46.366,19 (valor do subsídio dos ministros do Supremo). Na decisão, mandou órgãos de todas as esferas reverem verbas e cancelarem, em até 60 dias, pagamentos sem base legal. Também cobrou do Congresso uma lei que defina quais indenizações podem ser consideradas exceção ao teto.

Penduricalhos barrados

Entre os benefícios suspensos estão:

  • Licença compensatória vendável e acumulada com fins de semana;
  • Gratificação por acúmulo de funções;
  • Auxílio-locomoção ou combustível sem comprovação de deslocamento;
  • Auxílio-educação sem necessidade de custeio de curso;
  • Licença-prêmio paga em dinheiro;
  • Outros adicionais, como “auxílio-panetone” e “auxílio-peru”.

Repercussão

Para Ricardo Gomes, diretor do Instituto Millenium, a aprovação dos chamados supersalários “desmoraliza o teto” e concentra renda em uma elite do funcionalismo. O economista-chefe da Warren Investimentos, Felipe Salto, avalia que as vantagens criam pressões permanentes sobre o orçamento e funcionam como “antirreforma administrativa”.

A decisão do STF agora funciona como freio imediato, mas só será definitiva após julgamento colegiado.

Com informações de Gazeta do Povo

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