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Retaliação ao tarifaço dos EUA encareceria produtos no Brasil, alerta economista do Insper

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O governo brasileiro não deve responder com aumento de tarifas às novas taxas de 25% impostas pelos Estados Unidos a parte das exportações do país, afirmou o professor do Insper Alexandre Chaia em entrevista concedida em 18 de julho de 2026. Para o economista, uma retaliação elevaria preços para consumidores e empresas no mercado interno sem oferecer contrapartida econômica.

Impacto limitado e foco em novos mercados

Segundo estimativa da Amcham Brasil, o tarifaço anunciado em 15 de julho pode atingir embarques equivalentes a US$ 11 bilhões, afetando principalmente máquinas, calçados e móveis. Chaia pondera, porém, que a maior parte da pauta exportadora para os EUA permanece protegida, o que deve reduzir o efeito sobre a economia nacional.

“O que foi atingido é marginal”, resumiu o professor, defendendo a estratégia já adotada pelo governo de buscar alternativas em outros destinos comerciais — como União Europeia e Japão — para diluir perdas.

Plano Brasil Soberano como amortecedor

Para as empresas diretamente prejudicadas, Chaia avalia que linhas de crédito oferecidas pelo BNDES dentro do Plano Brasil Soberano são suficientes. Ele lembra que a equipe econômica lida com restrições fiscais e, portanto, não dispõe de espaço para ampliar subsídios ou incentivos além dos já anunciados.

Baixo reflexo no PIB e nos preços internos

As exportações brasileiras aos Estados Unidos representam cerca de 1,6% do Produto Interno Bruto, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Com a lista de exceções mantida por Washington, o impacto sobre o PIB deve ser “bem reduzido”, avalia o economista.

Chaia também descarta repasse de custos para o mercado doméstico. Caso parte da produção originalmente destinada aos EUA seja redirecionada ao consumo interno, a oferta maior tenderia até a pressionar preços para baixo, explica. Já nos Estados Unidos, ele prevê que o consumidor local carregará o peso das tarifas adicionais.

Sem ver benefícios em escalar o conflito comercial, o professor conclui que manter esforços de diversificação de mercados e apoiar pontualmente os setores mais atingidos é a opção de menor custo para o país.

Com informações de Gazeta do Povo