Um levantamento realizado pelos institutos Ipsos-Ipec e More in Common revela que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é visto como o maior responsável pela recente expansão das apostas esportivas on-line no Brasil.
De acordo com a pesquisa, 18% dos entrevistados atribuem ao atual governo a explosão das chamadas “bets”, enquanto 4% responsabilizam a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A maior parcela, porém, não concentra a culpa em um único mandato: 35% afirmam que nenhum dos dois governos impulsionou o setor e 33% dividem a responsabilidade entre ambos. Outros 10% não souberam responder.
O estudo ouviu presencialmente 2.000 pessoas com 16 anos ou mais, em 130 municípios, entre 4 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais.
Percepção entre diferentes grupos de eleitores
A percepção de maior influência do governo Lula aparece inclusive entre seus próprios eleitores. Nesse recorte, 14% apontam a atual administração como responsável pela expansão das plataformas de apostas, ante 8% que citam a gestão Bolsonaro.
Entre eleitores de Jair Bolsonaro, 28% responsabilizam Lula e 3% mencionam o ex-presidente. Já entre eleitores de outros candidatos — além dos que votaram em branco ou nulo —, 15% culpam o governo atual, enquanto 2% indicam o governo anterior.
Para Pablo Ortellado, professor da USP e diretor da More in Common, o cenário combina legalidade com falta de regras claras até a regulamentação editada em 2024. “O governo Lula resolveu regulamentar e pagou um preço, sendo identificado como mais responsável que Bolsonaro”, afirmou.
Influência das apostas no voto
O tema também pode impactar as urnas: 24% dos entrevistados disseram que votariam em um candidato que propusesse limitar as apostas esportivas, 12% afirmaram que essa posição diminuiria a chance de voto e 58% declararam que o assunto não influencia a escolha eleitoral.
Críticas públicas e arrecadação bilionária
Mesmo apontado como principal responsável pela explosão das bets, Lula tem feito críticas públicas às plataformas. Em abril, o presidente declarou que, se dependesse exclusivamente dele, “fecharia as bets”, mas reconheceu que a decisão passa pelo Congresso Nacional.
A regulamentação aprovada em 2024 estabeleceu imposto de 12% sobre a receita bruta das operadoras — alíquota que subiu para 13% este ano e chegará a 15% em 2028. Apostadores passaram a recolher 15% de Imposto de Renda sobre lucros anuais acima de R$ 28,4 mil. Além disso, cada empresa precisa pagar R$ 30 milhões de licença a cada cinco anos, o que gerou quase R$ 10 bilhões em arrecadação apenas no ano passado.
Com informações de Gazeta do Povo