Brasília – 13 de julho de 2026. Novos documentos entregues pela defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao Supremo Tribunal Federal relatam episódios de fadiga, sonolência e perda de equilíbrio atribuídos aos medicamentos em uso, embora o quadro geral seja considerado estável.
Assinado pelo médico Brasil Caiado, o boletim enviado na última semana aponta “certa estabilidade dos sintomas e queixas”, sem alterações significativas em comparação ao relatório anterior. Segundo o especialista, houve resposta positiva a ajustes farmacológicos feitos há cerca de um mês, com melhora progressiva da pressão arterial e redução das crises de soluço.
Os laudos citam ainda que Bolsonaro mantém rotina de dieta controlada, sessões de fisioterapia, exercícios regulares e medidas preventivas contra quedas e refluxo gastroesofágico. Mesmo assim, os efeitos colaterais dos remédios seguem provocando cansaço, sonolência e alterações do equilíbrio corporal.
Fisioterapia duas vezes na semana
Em documento separado, o fisioterapeuta Kleber Antônio Caiado de Freitas informou que o ex-presidente realizou duas sessões de reabilitação na semana passada. Na atividade de segunda-feira (6), apresentou boa mobilidade e executou exercícios funcionais sem queixas. Na quinta-feira (9), mostrou-se mais cansado e indisposto, mas prosseguiu com o tratamento, permanecendo sem dor.
Multimorbidade complexa
No pedido de prorrogação da prisão domiciliar apresentado ao ministro Alexandre de Moraes no fim de junho, a defesa anexou laudo dos médicos Claudio Birolini, Leandro Echenique e Brasil Caiado que classifica Bolsonaro como paciente com “multimorbidade complexa”. Entre as condições citadas estão:
- Histórico de pneumonias aspirativas recorrentes e risco permanente de broncoaspiração;
- Sequelas de múltiplas cirurgias abdominais e episódios de obstrução intestinal;
- Instabilidade postural e distúrbios do equilíbrio, com alto risco de quedas;
- Necessidade de doses elevadas de medicação para controlar crises recorrentes de soluços.
Os profissionais alertam que os fármacos de ação central exigem monitoramento constante, pois podem afetar a cognição e aumentar o risco de quedas. O relatório também lembra que Bolsonaro passou recentemente por cirurgia ortopédica no ombro direito e continua em processo de reabilitação.
Prisão domiciliar mantida
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde março, após tratar uma pneumonia grave contraída no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, onde cumpria pena de 27 anos e três meses. O benefício foi prorrogado em 3 de julho, sem prazo para término. Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes considerou a medida “razoável, adequada e proporcional”, apesar de reconhecer melhora no estado de saúde do ex-presidente.
Segundo a defesa, a estabilidade clínica atual decorre do controle rigoroso das comorbidades realizado no ambiente doméstico.
Com informações de Gazeta do Povo