Brasília — O governo federal decidiu intensificar a reestruturação da Infraero, que deixará definitivamente a gestão e a participação acionária em grandes aeroportos para concentrar suas atividades em terminais regionais, prestação de serviços e projetos especiais. A medida foi detalhada no edital de relicitação do Aeroporto Internacional de Brasília, divulgado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) em 31 de julho.
Edital de Brasília impõe venda de participação
O documento estabelece investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão até 2037 e determina que a estatal se desfaça de sua participação na concessionária Inframerica, ficando proibida de disputar a nova concessão. A decisão recebeu aval do Tribunal de Contas da União (TCU) como parte do plano para manter o contrato do terminal da capital federal até 2037. A Inframerica poderá concorrer novamente, desde que apresente a melhor proposta.
Enxugamento em ritmo acelerado
Criada há 53 anos, a Infraero administrava 66 aeroportos; hoje restam 23 terminais regionais e o Santos Dumont, no Rio de Janeiro. O encolhimento também atinge o quadro de pessoal: dos cerca de 13 mil empregados no auge, permanecem 3,5 mil, dos quais 890 atuam diretamente na estatal e 2,7 mil estão cedidos a outros órgãos públicos.
Declaração do ministro
“A Infraero precisa redimensionar seu tamanho para gerir alguns aeroportos regionais. Ela não precisa diminuir; precisa ganhar novas funções e pode dar grande contribuição à aviação brasileira”, afirmou o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, em entrevista ao site Neofeed.
Histórico de concessões
A redução do papel da Infraero começou em 2011, com o programa de concessões de grandes aeroportos lançado durante o governo da então presidente Dilma Rousseff. A estratégia foi mantida pelas gestões seguintes de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Desde 2019, a estatal passou a se retirar gradualmente das sociedades concessionárias.
Participações em Guarulhos, Confins e Viracopos na mira
Embora detenha 49% das concessionárias dos aeroportos de São Paulo/Guarulhos, Belo Horizonte/Confins e Campinas/Viracopos, a Infraero tem pouca influência por ser acionista minoritária. O governo já negocia a repactuação do contrato de Viracopos e conduz estudos para vender as fatias nos três terminais, em linha com o plano de atrair mais investimento privado nos hubs mais rentáveis.
Impacto financeiro
A transformação reflete-se no balanço da companhia. O faturamento caiu de R$ 2,488 bilhões em 2024 para R$ 986 milhões projetados para 2025. Apesar disso, a Infraero encerrou o ano passado com lucro líquido de R$ 316,2 milhões, revertendo o prejuízo registrado no exercício anterior.
Com a relicitação de Brasília e a futura venda das participações remanescentes, a estatal deverá concentrar-se em aeroportos de menor porte e em serviços técnicos, redefinindo seu papel no setor aéreo brasileiro.
Com informações de Gazeta do Povo