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Empresas recorrem à recuperação extrajudicial em meio à Selic de 15%; Raízen e GPA lideram movimentação

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Com 8,9 milhões de empresas negativadas e a taxa Selic em 15% ao ano, o ambiente de crédito encarecido levou gigantes como Grupo Pão de Açúcar (GPA) e Raízen a solicitar recuperação extrajudicial neste início de 2026. O instrumento jurídico, menos demorado que a recuperação judicial, ganhou força como alternativa para reestruturação de dívidas e preservação das operações.

Como funciona a recuperação extrajudicial

Ao contrário da recuperação judicial, que exige acompanhamento do Judiciário desde o primeiro dia, a recuperação extrajudicial permite negociação direta entre a companhia endividada e grupos específicos de credores. A lei que regula ambos os mecanismos é de 2005, atualizada em 2020, mas o trâmite extrajudicial costuma ser concluído em poucos meses.

Depois de protocolar o pedido, a empresa obtém suspensão temporária de pagamentos por 90 dias, prazo usado para formalizar o acordo e buscar homologação judicial.

Alta na procura

Dados do Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Orbe) mostram 78 casos em 2025, sétimo ano consecutivo de aumento e 20% acima do registrado em 2024. Especialistas atribuem a escalada a dívidas mais caras, recuo do consumo e necessidade de reorganizar estruturas diante do crédito restrito.

Raízen registra maior plano do país

A Raízen, controlada por Shell e Cosan (44% cada), apresentou reestruturação de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Antes de recorrer à Justiça, a companhia tentou, sem sucesso, alternativas de capitalização junto aos sócios. O plano prevê:

  • capitalização de R$ 4 bilhões, sendo R$ 3,5 bilhões da Shell;
  • conversão de 40% do passivo em participação acionária;
  • alongamento do saldo restante.

O pedido já chegou ao tribunal com adesão de 47% dos credores. A estratégia considera queda da Selic para 12,25% até o fim de 2026; cada ponto percentual acima desse nível eleva o custo financeiro da companhia.

Entre os fatores que pressionaram o caixa da Raízen estão aumento de despesas financeiras, redução de 30% na produtividade da cana por condições climáticas adversas, investimentos em etanol de segunda geração sem retorno imediato e consumo de quase R$ 2 bilhões no terceiro trimestre da safra 2025/26.

GPA tenta alongar R$ 4,5 bilhões

No varejo alimentar, o GPA busca reestruturar R$ 4,5 bilhões. A cisão do Assaí e do colombiano Éxito diminuiu escala e diversidade geográfica, agravando a liquidez. Com capital de giro negativo de R$ 1,2 bilhão e vencimentos de R$ 1,7 bilhão em debêntures até 2026, a empresa viu a recuperação extrajudicial como única saída.

O plano, apoiado por 46% dos credores, quer:

  • alongar prazos das dívidas;
  • reduzir em R$ 415 milhões as despesas operacionais.

Segundo analistas, a economia anual projetada é indispensável para equilibrar o fluxo de caixa; qualquer desvio pode comprometer a viabilidade do acordo.

Cenário macro pressiona empresas

A inadimplência geral no Sistema Financeiro Nacional atingiu 4,2%, maior nível desde março de 2011. Com acesso restrito a crédito e custos elevados de captação, companhias de setores como varejo e energia sofrem para rolar dívidas. Nas famílias, comprometimento de 29,2% da renda com dívidas e endividamento de 49,7% limitam o consumo, afetando diretamente as receitas corporativas.

A perspectiva de liquidez apertada mantém a recuperação extrajudicial no centro das estratégias de gestão de risco das empresas brasileiras.

Com informações de Gazeta do Povo

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