A proposta da Federação Internacional de Futebol (Fifa) para criar uma subsidiária comercial avaliada em US$ 20 bilhões desencadeou uma reação em cadeia no mundo do esporte, culminando em críticas públicas, ameaças de boicote e na saída de um dos principais assessores da entidade.
Empresa buscaria investidores privados
O plano, elaborado em parceria com o banco J.P. Morgan, prevê a formação da Fifa Forward Enterprise (FFE), responsável por administrar a Copa do Mundo, o Mundial de Clubes e outros torneios internacionais. Entre os investidores almejados está a holding Thrive Eternal, de Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump.
De acordo com comunicado divulgado na terça-feira, 28 de julho, a FFE pretende captar até US$ 4,2 bilhões ainda em 2026 para financiar programas de desenvolvimento, oferecendo fatias minoritárias e sem poder de controle.
Uefa, Concacaf e AFC rejeitam proposta
A resistência ganhou força na quinta-feira, 30, quando a Uefa declarou que suas federações nacionais não participarão de competições administradas pela nova empresa. Em nota anterior, a entidade europeia já havia enfatizado que “a Copa do Mundo e outras competições não pertencem à Fifa para serem vendidas”.
No mesmo dia, Concacaf e AFC também tornaram pública a oposição ao projeto.
Renúncia e críticas políticas
Na sexta-feira, 31, o assessor especial da Fifa Carlos Cordeiro, considerado braço direito do presidente Gianni Infantino, entregou o cargo. “Não posso ficar de braços cruzados enquanto a Fifa cogita vender uma participação na Copa do Mundo”, escreveu, classificando o acordo como prejudicial “às federações, ao futebol e ao futuro do esporte”.
Fora das quatro linhas, o recém-empossado primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, chamou a iniciativa de “proposta indecente” e afirmou que Infantino “é a pessoa errada para dirigir a organização”.
Fifa nega venda do futebol
Em nota divulgada na mesma sexta-feira, a Fifa declarou que “ninguém está vendendo o futebol” e que qualquer decisão dependerá da aprovação das 211 associações filiadas. Sem esse aval, segundo a entidade, as atividades comerciais continuarão inalteradas e a FFE não sairá do papel.
Com informações de Gazeta do Povo