A defesa do ministro Alexandre de Moraes apresentou uma contestação ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, afirmando que a Polícia Federal (PF) interpretou erroneamente anotações encontradas no iPhone do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, entregue na madrugada de terça-feira (15), argumenta que o relatório da PF não comprova que tais anotações foram enviadas ao ministro ou a qualquer outra pessoa.
Segundo a defesa, a análise realizada pela PF, sob a direção do ministro André Mendonça, relacionou as anotações de Vorcaro a conversas no WhatsApp apenas com base no horário das anotações e interações subsequentes na plataforma. Moraes contesta essa metodologia, afirmando que não há evidências de que as notas foram realmente enviadas em uma conversa.
O documento destaca que das 52 anotações analisadas, 47 não foram encontradas em mensagens do WhatsApp, o que representa 90,4% do total. Moraes questiona se as anotações foram enviadas, se foram encaminhadas a múltiplos destinatários, se foram apagadas antes de serem lidas ou se foram enviadas sem visualização. Ele argumenta que essas possibilidades não foram devidamente consideradas no relatório da PF.
Além disso, a defesa de Moraes afirma que os prints retirados do celular de Vorcaro estão relacionados a contatos que não incluem o ministro. O documento ressalta que essa informação foi ignorada na análise da PF. Moraes também critica a validade do relatório, descrevendo-o como um “documento ilegalmente produzido” que não apresenta dados brutos, mas apenas recortes selecionados que sustentam a interpretação da PF.
Por fim, a defesa reafirma que não há qualquer mensagem escrita por Moraes nas anotações de Vorcaro. O ministro argumenta que para caracterizar um diálogo é necessária a presença de dois interlocutores, e que mesmo que as anotações fossem consideradas mensagens, ainda faltaria comprovação da participação de outra parte na conversa.
Fonte: Gazeta Do Povo.