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Câmara de Porto Alegre discute proibição de “terapia de conversão” e prevê multas de até R$ 2,5 mil

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Porto Alegre (RS) – A Câmara Municipal analisa o Projeto de Lei 353/2025, que estabelece punições administrativas para pessoas ou instituições que ofertarem ou divulgarem “terapias de conversão” destinadas a mudar a orientação sexual ou a identidade de gênero de homossexuais.

O que diz a proposta

Apresentado pelo vereador Giovani Culau e Coletivo (PCdoB), o texto caracteriza como infração:

  • Oferecer ou anunciar publicamente a terapia de conversão em consultórios, clínicas, comunidades terapêuticas, ambientes religiosos ou espaços de espiritualidade;
  • Submeter alguém – mesmo com consentimento – a tratamento, cirurgia, internação ou medicação com essa finalidade;
  • Praticar chantagem, ameaça, castigos físicos ou penitências para forçar a mudança de orientação sexual;
  • Promover eventos, palestras, cursos ou seminários voltados ao “abandono da homossexualidade”.

Penas previstas

O projeto prevê desde advertência até multas que variam de R$ 250 a R$ 2.500. Em casos de reincidência, pode haver:

  • Suspensão das atividades por 30 dias;
  • Cassação do alvará de funcionamento;
  • Proibição de ocupar cargos públicos no município.

Críticas de vereadores cristãos

Parlamentares ligados a igrejas manifestaram preocupação. A vereadora Tanise Sabino (MDB), psicóloga, afirmou em rede social que o texto “não diferencia práticas abusivas de aconselhamento espiritual”, abrindo brecha para penalizar atividades religiosas.

O vereador Hamilton Sossmeier (Podemos) declarou que a proposta pode atingir a liberdade das igrejas, já que aconselhamentos voluntários sobre sexualidade fazem parte de sua missão pastoral. Ele também questionou a necessidade de uma lei municipal, lembrando a existência de normas profissionais e do Código Penal.

Emendas para garantir liberdade religiosa

Em junho, um grupo de vereadores apresentou emendas que retiram referências diretas a ambientes religiosos e deixam claro que aconselhamento pastoral, direção espiritual, ensino religioso, proselitismo e atos de conversão voluntários não configuram infração administrativa.

Debate ultrapassa fronteiras gaúchas

Discussões semelhantes avançam em outros estados. Na Assembleia Legislativa da Bahia, o PL 25.862/2025, de autoria do deputado Hilton Coelho (PSOL), busca punir quem ofereça apoio espiritual para LGBTs que desejam deixar a homossexualidade, incluindo cultos, retiros e orações.

O projeto de Porto Alegre segue em tramitação nas comissões temáticas e ainda não tem data definida para votação em plenário.

Com informações de Folha Gospel