O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que se tornou alvo de uma “linha de retaliação” conduzida por setores tanto da esquerda quanto da direita depois da apresentação do relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. A declaração foi feita em vídeo divulgado na noite de quinta-feira (16), um dia antes de a entrevista ser publicada nesta sexta-feira (17/04/2026).
O parlamentar comentou o pedido de investigação contra ele apresentado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes. Segundo Vieira, as críticas que recebe nas redes sociais partem de grupos antagônicos que, apesar das diferenças ideológicas, teriam se unido para atacá-lo. “Ideologia não significa nada para quem quer proteger o sistema”, disse.
Entre as mensagens que classifica como ofensivas, o senador cita rótulos de “petista” e “lavajatista”. “Toda vez que alguém enfrenta o sistema, a reação é violenta. Quando se combate o bandido pobre, a elite apoia; mas, quando se vai contra os ricos e poderosos, a história muda”, afirmou.
Ministros e PGR citados no relatório
O relatório de Vieira, rejeitado pela própria CPI, sugeria o indiciamento dos ministros do STF Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do procurador-geral da República Paulo Gonet. Gilmar Mendes alega que o pedido configuraria abuso de autoridade, argumento que embasou seu requerimento de investigação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Durante uma sessão do Supremo, Toffoli chegou a defender que o senador seja impedido de concorrer nas próximas eleições. Mesmo com o parecer da comissão derrubado, Vieira declarou que manterá a mesma postura de atuação.
Críticas ao conteúdo do relatório
O senador também foi cobrado por não ter incluído faccionados entre os pedidos de indiciamento. Ele respondeu que crimes comuns exigem provas mais robustas para avançarem, diferentemente dos crimes de responsabilidade, de natureza política, julgados pelo Poder Legislativo.
Paralelamente, Vieira solicitou à PGR o arquivamento da ação aberta por Gilmar Mendes. Ele atribui as reações negativas à visibilidade conquistada ao longo da CPI. “Há quem se incomode com o destaque que obtivemos”, resumiu.
Com informações de Gazeta do Povo