Brasília — A Comissão Europeia oficializou nesta sexta-feira (5) a exclusão do Brasil da relação de países autorizados a vender determinados produtos de origem animal ao bloco. A restrição entra em vigor em 3 de setembro de 2026 e pode interromper completamente o embarque de carnes brasileiras para o mercado europeu.
O regulamento, publicado no Diário Oficial da União Europeia, afirma que as autoridades brasileiras não apresentaram garantias suficientes de conformidade com as normas que limitam o uso de antimicrobianos na produção pecuária. Sem essas comprovações, o país perde o direito de exportar carne bovina, frango, equinos, pescado, mel e tripas para os 27 Estados-membros.
A decisão altera a lista de habilitados em vigor desde 2024, na qual o Brasil figurava ao lado de outros parceiros do Mercosul. Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem aptos a atender o mercado europeu.
Antimicrobianos no centro da controvérsia
A legislação europeia proíbe a utilização de substâncias como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina como promotores de crescimento animal. Em abril, o Ministério da Agricultura brasileiro emitiu portaria proibindo a importação, fabricação e venda de parte desses compostos, incluindo avoparcina e virginiamicina, mas as informações enviadas a Bruxelas foram consideradas insuficientes.
Durante o anúncio preliminar da medida, em maio, a porta-voz para Saúde da Comissão Europeia, Eva Hrncirova, declarou que o Brasil poderá retornar à lista tão logo comprove o cumprimento integral das exigências.
Impacto comercial
Segundo dados do Ministério da Agricultura, a União Europeia é o terceiro principal destino da carne bovina brasileira em valor exportado — atrás apenas da China e dos Estados Unidos — e o segundo maior comprador considerando todas as carnes. Em 2025, o país embarcou 128,9 mil toneladas de carne bovina para o bloco, volume recorde que gerou US$ 1,06 bilhão, alta de 132% em relação a 2024.
O governo brasileiro afirmou ter sido surpreendido pela exclusão e busca uma solução negociada. O Ministério das Relações Exteriores foi procurado, mas não respondeu até a publicação desta matéria.
Com informações de Gazeta do Povo