Brasília – A Comissão Europeia publicou, na sexta-feira (5), regulamento que exclui o Brasil do rol de países autorizados a vender determinados produtos de origem animal ao bloco a partir de 3 de setembro de 2026.
A decisão atinge carnes bovina, de frango e equina, além de pescado, mel e tripas. O veto foi motivado pela falta de comprovação, segundo autoridades europeias, de que o país atende às normas da União Europeia (UE) sobre o uso de antimicrobianos na produção animal.
Outros países do Mercosul mantêm autorização
Enquanto o Brasil perdeu o credenciamento, Argentina, Paraguai e Uruguai permanecem habilitados a exportar produtos de origem animal para o bloco europeu.
Antimicrobianos no centro da controvérsia
A legislação europeia proíbe substâncias como virginiamicina, avoparcina, bacitracina, tilosina, espiramicina e avilamicina quando utilizadas como promotores de crescimento. Em abril, o Ministério da Agricultura brasileiro editou portaria que veta a importação, fabricação, comercialização e uso de parte desses compostos, incluindo avoparcina e virginiamicina.
Impacto no comércio
Dados do Ministério da Agricultura apontam que a UE é o terceiro maior destino da carne bovina brasileira em valor, atrás de China e Estados Unidos. Considerando todas as carnes, o bloco ocupa a segunda posição. Somente em 2025, o Brasil enviou 128,9 mil toneladas de carne bovina aos europeus, faturando US$ 1,06 bilhão – recorde 132% superior ao volume de 2024.
Reação do governo brasileiro
Ao ser informado da medida, em maio, o governo declarou ter sido surpreendido e afirmou que buscaria negociar a reinclusão. A Comissão Europeia sinalizou que o Brasil poderá voltar à lista assim que comprovar o cumprimento integral das exigências sanitárias.
Com informações de Gazeta do Povo