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Comissão dos EUA aponta 18 países como maiores violadores da liberdade religiosa

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A Comissão dos Estados Unidos sobre Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF, na sigla em inglês) recomendou que 18 nações sejam classificadas como “Países de Preocupação Particular” (CPCs) em seu relatório anual de 2026. A denominação é reservada aos governos considerados os piores violadores da liberdade de crença.

Lista reúne 18 governos

Doze países já constavam na relação divulgada pelo Departamento de Estado norte-americano em dezembro de 2023: Birmânia (Mianmar), China, Cuba, Eritreia, Irã, Nicarágua, Coreia do Norte, Paquistão, Rússia, Arábia Saudita, Tajiquistão e Turcomenistão.

O relatório acrescenta ainda a Nigéria — incluída na categoria CPC em 2025 pelo então presidente Donald Trump — e outros cinco Estados que, segundo a USCIRF, também merecem a designação: Afeganistão, Índia, Líbia, Síria e Vietnã.

Declínio global da liberdade religiosa

Ao encerrar seu mandato 2025-2026, o comissário Stephen Schneck afirmou que o cenário mundial “está pior hoje do que há uma década”. Segundo ele, “os problemas não apenas persistem, mas se agravam” em vários pontos do planeta.

Índia sob foco

Schneck classificou a situação indiana como “particularmente trágica”, destacando a ascensão do nacionalismo hindu associado ao partido governista Bharatiya Janata Party (BJP), do primeiro-ministro Narendra Modi. O comissário apontou episódios recorrentes de violência contra minorias religiosas e criticou a falta de responsabilização dos agressores.

A USCIRF recomenda desde 2019 que Washington rotule a Índia como CPC, mas o Departamento de Estado resiste. Para Schneck, questões geopolíticas e interesses comerciais explicam a hesitação: “A Índia é peça-chave frente à China e um parceiro econômico relevante para os Estados Unidos”.

Preocupação contínua com a China

A China permanece classificada como CPC desde 1999. A comissão alerta para a repressão contra uigures muçulmanos, budistas tibetanos, cristãos e católicos. Schneck citou o pedido de libertação do empresário católico Jimmy Lai e de “milhões de outros” prisioneiros de consciência.

Término do mandato e próximos passos

Maio marcou a saída de sete integrantes da USCIRF, inclusive Schneck, nomeado em 2022 pelo presidente Joe Biden e presidente da comissão no biênio 2024-2025. O ex-comissário, professor emérito da Universidade Católica da América, afirmou que continuará a atuar em organizações como Catholic Climate Covenant e Catholic Mobilizing Network, voltadas ao cuidado ambiental e ao fim da pena de morte.

Schneck descreveu o trabalho na comissão como o “ápice” de sua trajetória: “Conversar com pessoas que perderam parentes ou deixaram a prisão torna o exercício emocionalmente difícil, mas é essencial testemunhar o que aconteceu com elas”.

Com informações de Gazeta do Povo