Brasília – O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu manter a prisão preventiva da influenciadora e advogada Deolane Bezerra, detida desde a última quinta-feira (21). A decisão, assinada no sábado (23) e publicada neste domingo (24), rejeitou pedido da defesa que buscava reverter a custódia por meio de reclamação apresentada à Corte.
No despacho, Dino afirmou não identificar ilegalidade ou excesso na decisão da Justiça paulista que decretou a prisão. O magistrado destacou que ainda há recursos pendentes nas instâncias inferiores e que uma intervenção imediata do STF poderia “atropelar o andamento normal do processo”.
Operação Vérnix
Deolane foi alvo de operação conjunta da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo que investiga suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os promotores, a influenciadora teria disponibilizado contas bancárias e empresas de fachada para ocultar patrimônio da facção.
Relatórios apontam movimentações consideradas incompatíveis com sua atividade declarada, incluindo crescimento patrimonial superior a R$ 140 milhões em dois anos. As apurações também identificaram ligações frequentes entre Deolane e familiares de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como principal líder do PCC.
Uma das principais conexões, segundo o Ministério Público, seria Paloma Camacho, sobrinha de Marcola. A jovem é tida como peça-chave na movimentação financeira da família e teve prisão preventiva decretada, mas não foi encontrada na Espanha e é considerada foragida.
Transferência e pedido de domiciliar
Após ser presa na capital paulista, Deolane foi transferida na sexta-feira (22) para um presídio no interior do estado. A defesa solicitou revogação da prisão ou substituição por prisão domiciliar, alegando que a ré é mãe de uma criança de 9 anos. O Ministério Público manifestou-se contra e a Justiça manteve a medida cautelar, citando a gravidade das suspeitas.
Durante audiência de custódia, a influenciadora chorou e negou envolvimento com o esquema: “Fui presa por estar advogando, por uma quantia de R$ 24 mil depositada em minha conta, por um cliente”, declarou. Em nota, o advogado Rogério Nunes classificou a prisão como desproporcional e disse confiar no esclarecimento dos fatos ao longo do processo.
Não há prazo definido para nova análise do pedido de liberdade nas instâncias inferiores.
Com informações de Gazeta do Povo