Brasília – A Polícia Federal investiga se gravações realizadas em festas privadas do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso desde março, serviram como instrumento de chantagem contra autoridades dos três Poderes. As suspeitas fazem parte da Operação Compliance Zero, que mira um suposto esquema de proteção política ao Banco Master, liquidado em 2025.
Foco da apuração
Os investigadores querem confirmar se vídeos de teor sexual registrados em eventos luxuosos foram usados para coagir figuras públicas a favorecer interesses de Vorcaro e dar sustentação institucional ao banco. O material, segundo a PF, mostra convidados influentes em situações íntimas.
Possível uso de dinheiro público
A operação também apura se as despesas milionárias das festas – bebidas de alto padrão, viagens internacionais e fretamento de jatos – foram pagas com recursos desviados. A PF suspeita de fraudes em fundos de pensão estaduais e municipais e de descontos irregulares aplicados a beneficiários do INSS ligados ao Banco Master.
‘Festa das astronautas’ em investigação
Relatos de testemunhas, entre elas o ex-governador Anthony Garotinho, mencionam comemorações em que mulheres estrangeiras estariam nuas usando apenas capacetes espaciais. A logística de trazer acompanhantes do Leste Europeu em aeronaves particulares está sob escrutínio por possível exploração sexual e tráfico de pessoas.
Sigilo reforçado pelo STF
Para evitar vazamentos que possam anular o processo, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, restringiu o acesso às provas. Como o material inclui cenas íntimas, o uso fora do contexto criminal poderia comprometer toda a investigação, avalia a Corte.
Onde e com quem
Os encontros ocorreram em destinos como Trancoso (Bahia), Nova York, Londres e Lisboa, reunindo empresários, advogados, magistrados e políticos de vários partidos. O circuito de luxo teria funcionado por aproximadamente cinco anos, sempre sob rígido controle de acesso.
Rejeição de delação
Preso desde março, Daniel Vorcaro teve duas propostas de delação premiada negadas pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. Ele nega irregularidades.
O inquérito segue em sigilo, e novas diligências são esperadas para as próximas semanas.
Com informações de Gazeta do Povo