Rio de Janeiro – O empresário Ricardo Magro, proprietário da refinaria Refit, passou a ser considerado foragido da Justiça brasileira depois de uma ordem de prisão expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (15). A Polícia Federal deflagrou a Operação Sem Refino para apurar um esquema de sonegação que, segundo a Receita Federal, provocou um rombo de R$ 26 bilhões nos cofres da União e do Estado do Rio de Janeiro.
Magro, que vive em Miami há cerca de dez anos, teve o nome incluído na difusão vermelha da Interpol, o nível mais alto de alerta internacional. Além do mandado de prisão, Moraes determinou o bloqueio de R$ 52 bilhões em ativos financeiros ligados ao empresário e a suspensão das atividades das companhias apontadas como integrantes do esquema, entre elas a própria Refit.
Ex-governador na mira
A operação também alcançou o ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ). Agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na residência dele, em um condomínio na zona oeste da capital fluminense. Servidores públicos, inclusive do Judiciário, foram afastados cautelarmente de suas funções.
Refinaria de Manguinhos sob investigação
Fundada em 1954 e em recuperação judicial, a Refit – conhecida como refinaria de Manguinhos – é apontada pelas autoridades como o maior caso de inadimplência tributária organizada do país. A classificação de “devedora contumaz” se deve ao uso sistemático do não pagamento de tributos como estratégia comercial, permitindo a venda de combustíveis a preços artificialmente baixos e distorcendo a concorrência.
Pressão diplomática
Em encontro com o presidente norte-americano Donald Trump na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o pedido para que Magro e outros brasileiros procurados sejam detidos nos Estados Unidos e extraditados. “Se quiser combater o crime organizado de verdade, comece entregando alguns dos nossos que estão morando em Miami”, declarou Lula a jornalistas após a reunião.
Histórico de fraudes
O suposto esquema da Refit já fora alvo de outras operações, como Poço de Lobato e Carbono Oculto – esta última revelou adulteração de combustíveis associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Investigações da Polícia Federal e da Receita Federal relatam evasão em massa de ICMS, fraudes na importação de derivados de petróleo e lavagem de dinheiro via notas fiscais falsas.
Até o momento, a Refit não se pronunciou sobre as medidas judiciais.
Com informações de Gazeta do Povo