A Polícia Federal reuniu indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro arcou com despesas de ao menos três viagens internacionais do senador Ciro Nogueira (Progressistas). As informações constam de relatórios da Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025.
Registros de Paris, Nova York e Courchevel
De acordo com a investigação, a primeira viagem sob suspeita ocorreu em abril de 2024, em Paris. O senador aparece em foto publicada pela filha, Maria Eduarda Nogueira, na capital francesa.
Em maio de 2024, Ciro Nogueira e Vorcaro teriam viajado juntos a Nova York. Documentos analisados pela PF indicam hospedagem em hotel de alto padrão e jantares em restaurantes de luxo, com os custos atribuídos ao banqueiro.
A terceira viagem listada no inquérito ocorreu em janeiro de 2025, para Courchevel, na França. Segundo o relatório, até roupas de inverno usadas pelo parlamentar teriam sido pagas por Vorcaro.
Movimentações financeiras e empresa da família
Paralelamente, o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça determinou a suspensão das atividades da CNFL, empresa da família de Nogueira. A PF afirma que a companhia, administrada pelo irmão do senador e com participação societária da filha, teria recebido valores de empresas ligadas a Vorcaro e efetuado repasses mensais que variavam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil ao parlamentar.
O relatório também menciona depósitos em espécie, realizados por um funcionário vinculado a Nogueira, que somariam cerca de R$ 3,5 milhões em menos de quatro anos. Parte da origem desses recursos permanece sem esclarecimento, segundo os investigadores.
Possível conexão política
Para a PF, há sinais de que as vantagens recebidas pelo senador estariam relacionadas à sua atuação no Congresso em benefício de interesses do banqueiro. A corporação e a Procuradoria-Geral da República avaliam um eventual acordo de colaboração premiada com Vorcaro, mas, até o momento, consideram que a proposta inicial não trouxe elementos novos.
Defesas rebatem suspeitas
A defesa de Ciro Nogueira nega qualquer custeio de viagens por Vorcaro e afirma que todas as despesas foram pagas pelo próprio senador. Também sustenta que os depósitos em dinheiro vivo derivam de atividades comerciais documentadas. Em nota, o parlamentar classificou a investigação como tentativa de desgaste político e lembrou que acusações anteriores foram arquivadas.
Com informações de Direita Online