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Ilhas Canárias montam esquema de emergência para cruzeiro com surto de hantavírus

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Autoridades da Espanha organizam uma operação sanitária especial para receber, neste domingo (10), o navio de cruzeiro holandês MV Hondius, que registra um surto de hantavírus com seis casos confirmados e três mortes (duas ligadas de forma comprovada ao vírus e uma em investigação). A embarcação deve atracar na ilha de Tenerife, no arquipélago das Ilhas Canárias, levando a bordo mais de 140 pessoas entre passageiros e tripulantes.

Segundo Virginia Barcones, chefe dos serviços de emergência espanhóis, todos os ocupantes desembarcarão sob rígido protocolo de biossegurança e serão encaminhados a uma área totalmente isolada e cercada. Os governos de Estados Unidos e Reino Unido enviarão aeronaves às Canárias para repatriar, respectivamente, 17 norte-americanos e cerca de vinte britânicos.

OMS acompanha operação

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, viajou neste sábado (9) às Ilhas Canárias para coordenar a evacuação do navio. De acordo com boletim da OMS divulgado na sexta-feira (8), a cepa envolvida é a variante Andes, única conhecida por permitir transmissão, ainda que limitada, entre humanos. A taxa de letalidade observada no surto é de 38%.

A operadora Oceanwide Expeditions informou que não há passageiros com sintomas suspeitos no momento, informação corroborada pela OMS. Especialistas a bordo realizam avaliação médica individual para medir o risco de contágio.

Investigações em andamento

A OMS, em colaboração com autoridades da Argentina e do Chile, apura a origem do surto. A principal hipótese é que os primeiros infectados tenham contraído o vírus antes do embarque, possivelmente durante atividades de observação de aves na América do Sul, mas a presença de roedores contaminados no navio ainda não foi descartada.

O Hondius começou a viagem com 114 passageiros e 61 tripulantes de 22 países. Em 24 de abril, 32 passageiros desembarcaram na ilha britânica de Santa Helena, no Atlântico Sul, antes da confirmação do surto, que só foi reportado à OMS em 2 de maio. Autoridades sanitárias de quatro continentes monitoram mais de 20 pessoas que deixaram o navio naquele período e rastreiam possíveis contatos.

Risco considerado baixo

Em seu boletim, a OMS classificou como baixo o risco de disseminação do hantavírus para a população em geral. Testes laboratoriais aplicados em uma comissária de bordo que teve contato direto com uma passageira infectada deram resultado negativo, diminuindo a preocupação com transmissão mais ampla.

O hantavírus costuma ser transmitido por inalação de partículas presentes em urina, fezes ou saliva de roedores infectados. A variante Andes, porém, pode passar entre humanos em situações específicas e de contato próximo.

Após o desembarque em Tenerife, quem permanecer assintomático deverá seguir viagem em voos organizados por seus governos ou cumprir quarentena conforme as determinações sanitárias locais.

Com informações de Gazeta do Povo