Brasília – 09/07/2026. A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (9) uma nova etapa da Operação Compliance Zero para cumprir mandado de busca e apreensão contra o publicitário Thiago Miranda, apontado como elo entre o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no financiamento do filme “Dark Horse”.
Objetivo da PF
O pedido, autorizado pelo ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal (STF), busca provas sobre a atuação de Miranda na contratação de jornalistas e influenciadores destinados a defender o Banco Master e criticar o Banco Central. Investigadores, porém, avaliam que o material colhido deve reforçar outra frente do inquérito: a origem dos recursos destinados à produção cinematográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Como Miranda entrou no caso
Mensagens reveladas pelo site The Intercept Brasil em maio mostram que Miranda aproximou Vorcaro de Flávio Bolsonaro no fim de 2024. Em 8 de dezembro daquele ano, o publicitário marcou um encontro entre os dois na residência do banqueiro em Brasília. Após a reunião, o deputado Mario Frias (PL-SP), produtor executivo do longa, enviou agradecimentos a Vorcaro em áudio.
O material indica ainda que Vorcaro prometeu investir R$ 134 milhões no projeto, dos quais R$ 62 milhões teriam sido efetivamente repassados. Em março de 2025, Miranda encaminhou ao banqueiro um print atribuído a Eduardo Bolsonaro com orientações para remessa de dinheiro aos Estados Unidos, onde o filme está sendo produzido. Em agosto, outra mensagem apontava o envio de US$ 10,6 milhões de um total previsto de US$ 23,9 milhões.
Novos alvos e suspeitas
Até agora, as comunicações analisadas eram extraídas de aparelhos de Vorcaro. Com a apreensão desta quinta, a PF terá acesso direto aos dispositivos de Miranda, o que pode ampliar detalhes sobre as transferências e a participação de parlamentares no negócio.
Miranda passou a figurar formalmente na investigação após indícios de que também obtinha, por meios ilícitos, dados pessoais de pessoas que o banqueiro desejava pressionar, como a jornalista Malu Gaspar e o executivo do Itaú Milton Maluhy.
Alcance da decisão do STF
A decisão de Mendonça permite a coleta de dados telefônicos e telemáticos armazenados em computadores, smartphones, tablets, mídias removíveis e serviços em nuvem, além de documentos contábeis e registros de propriedades dos investigados.
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se a favor da medida, alegando necessidade de esclarecer completamente as condutas sob apuração.
Questionamentos sobre a origem do dinheiro
Apesar de Flávio Bolsonaro sustentar que o filme é um empreendimento privado, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) levou ao STF suspeitas de que os valores possam ter saído de fraudes ligadas ao Banco Master ou financiado atividades políticas, como a atuação de Eduardo Bolsonaro contra o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos. Fachin repassou o pedido ao ministro Mendonça, que agora conduz três procedimentos relacionados ao “Dark Horse”.
Se ficar comprovado que as quantias têm origem ilícita ou foram usadas como propaganda eleitoral antecipada, Flávio Bolsonaro poderá enfrentar novas implicações criminais e eleitorais.
Com informações de Gazeta do Povo