Brasília — Um microfone da Mesa Diretora do Senado, deixado ligado durante a sessão desta quarta-feira (data não informada no texto original), captou o presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), antecipando o resultado que rejeitou a indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Instantes antes da divulgação oficial do placar, Alcolumbre conversava em tom reservado com o líder do governo, senador Jaques Wagner (PT-BA). “Eu acho que vai perder por oito”, afirmou o presidente do Senado, frase que foi transmitida ao vivo pela TV Senado.
A previsão se concretizou: Messias recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, ficando oito abaixo dos 41 necessários para ocupar uma das 11 cadeiras do STF. Participaram da votação 76 dos 81 senadores.
Tramitação turbulenta
A rejeição ocorreu poucas horas depois de uma sabatina de cerca de oito horas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na comissão, Messias havia obtido 16 votos a 11, resultado que sugeria um cenário equilibrado antes do exame em plenário.
Após a repercussão do áudio, a assessoria de Alcolumbre confirmou a autenticidade da fala e explicou que ele apenas respondia a uma pergunta de Jaques Wagner sobre a contagem extraoficial de votos.
Raridade histórica
A decisão do Senado foi um fato incomum na política brasileira. Trata-se da primeira vez desde 1894 — e a primeira após a Constituição de 1988 — que uma indicação presidencial ao STF é barrada. Em mais de um século, somente cinco nomes haviam sido recusados antes do episódio envolvendo Messias.
Com informações de direitaonline.com.br