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Indicado ao STF, Jorge Messias é acusado de “discurso ensaiado” por parlamentares da oposição

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Brasília — A sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado, nesta quarta-feira (29/04/2026), foi marcada por fortes críticas de senadores e deputados da oposição, que o classificaram como “personagem ensaiado” e questionaram a coerência entre suas respostas e sua atuação no governo.

Pressão sobre temas sensíveis

O senador Sérgio Moro (PL-PR) concentrou as cobranças. Ele exigiu esclarecimentos sobre a nota técnica da Advocacia-Geral da União (AGU) — chefiada por Messias — que se manifestou contra a resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que veta a realização de aborto em estágios avançados da gestação. Para Moro, o parecer sinaliza apoio à prática.

“Faltou firmeza. Imaginei que ele diria de imediato que iria rever esse parecer”, declarou o parlamentar à imprensa durante um intervalo da sessão. Moro também reclamou de decisões judiciais que, segundo ele, restringiram a divulgação de conteúdo eleitoral de candidatos de direita e citou um “clima de censura” no país.

“Papel de bom moço”

Na Câmara, o deputado Evair de Melo (PL-ES) acusou Messias de abandonar posições anteriores para conquistar votos no Senado. “Parece um santo, sem coerência com o histórico. Está claramente treinado para evitar atritos”, disse.

Resultado apertado

Nos bastidores do Congresso, a avaliação é de que o Palácio do Planalto ainda não assegurou maioria folgada para aprovar o nome de Messias. Cálculos de parlamentares apontam entre 47 e 52 votos favoráveis no plenário, margem considerada suficiente, porém sujeita a possíveis traições, já que a votação é secreta.

Moro relatou ter havido tentativa do governo de retirá-lo da comissão para reduzir a pressão sobre o indicado. “O resultado ainda é incerto. O governo está preocupado”, afirmou.

Apoio governista e articulação religiosa

Entre os aliados do Executivo, o senador Vanderlan Cardoso (PSD-GO) elogiou o desempenho do sabatinado e destacou apoio de líderes evangélicos. O parlamentar chegou ao Senado acompanhado de pastores e bispos, demonstrando o peso desse segmento na disputa por votos.

Governistas admitem que a indicação de Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF) se tornou peça estratégica para compensar obstáculos em outras pautas no Congresso, como o projeto de dosimetria das penas relativas aos atos de 8 de janeiro.

Apesar das investidas da oposição, a votação do relatório na CCJ deve ocorrer ainda hoje. Se aprovado, o nome de Messias segue para deliberação final do plenário.

Com informações de Gazeta do Povo