Brasília – 16 de junho de 2026. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça declarou nesta terça-feira que recusou proposta de “delação seletiva” encaminhada pela defesa de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master e investigado no chamado caso Master.
A revelação foi feita durante sessão da Segunda Turma do STF que manteve as prisões do pai e do primo do banqueiro. Segundo Mendonça, um advogado procurou seu gabinete sugerindo um acordo restrito. “Perderam o pudor. Queremos fazer uma delação seletiva, falaram na minha cara. Eu disse: ‘Não faço questão de delação. Agora, delação seletiva, comigo não’”, relatou o ministro, sem identificar o autor da abordagem.
O presidente do colegiado, ministro Gilmar Mendes, observou que a iniciativa foi encaminhada ao interlocutor equivocado. Mendes lembrou que acordos de colaboração premiada são negociados com a Polícia Federal (PF) ou com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e apenas homologados pelo STF.
Negativa de PF e PGR
Nesta semana, PF e PGR também rejeitaram uma segunda proposta de colaboração apresentada por Vorcaro, sob o argumento de que o investigado não trouxe informações novas à apuração.
Ministro vê tentativa de anular investigação
Mendonça acrescentou que o instrumento da delação deve partir da vontade da defesa, mas sem vícios que comprometam o processo. “Há setores articulados para criar um vício com o objetivo de anular a investigação. Eu não sou cego, estou acompanhando os movimentos”, afirmou.
O caso Master apura supostos crimes financeiros ligados ao Banco Master. A Segunda Turma decidiu, na mesma sessão, manter a detenção do pai e do primo de Vorcaro, suspeitos de participar do esquema.
Com informações de Gazeta do Povo