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Mendonça alerta para risco de atentado após assumir relatoria do caso Banco Master

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Brasília – O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), declarou temer pela própria segurança depois de assumir a relatoria das ações que investigam o Banco Master e o esquema de desvio bilionário contra aposentados e pensionistas do INSS.

A manifestação ocorreu na tarde de terça-feira, 17 de junho de 2026, durante sessão da Segunda Turma que manteve as prisões de Henrique Moura Vorcaro – pai do banqueiro Daniel Vorcaro – e do primo do empresário, Felipe Cançado.

“Talvez seja simples acabar com a investigação. Talvez baste algum desses atentar contra a integridade física do relator. O polo mais frágil sou eu”, disse Mendonça no plenário.

Pressões sobre o ministro

Pessoas próximas ao magistrado relatam forte pressão para que ele interrompa as apurações que envolvem Vorcaro e autoridades dos Três Poderes. A relatoria estava anteriormente com Dias Toffoli, que se afastou após vir à tona sua sociedade em um hotel de luxo negociado com fundo ligado ao Banco Master.

Autoridades na mira da investigação

O inquérito já alcançou o ministro Alexandre de Moraes, que teria se reunido com Vorcaro um dia antes da primeira prisão do empresário, além de um contrato de R$ 129 milhões do escritório de advocacia da esposa do magistrado com o banco.

No Legislativo, a Polícia Federal investiga o senador Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de receber R$ 6 milhões em mesadas e viagens custeadas por Vorcaro. Também figura no caso o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que, segundo áudios vazados, cobrou R$ 134 milhões do banqueiro para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio admitiu ter visitado Vorcaro após sua saída da prisão em novembro passado.

Milícia privada “A Turma”

A preocupação de Mendonça é reforçada pela existência de uma milícia particular, apelidada de “A Turma”, criada por Vorcaro para intimidar opositores. O grupo, que incluiria ex-policiais federais e um agente infiltrado, continuou ativo mesmo após as duas prisões do banqueiro e teria custado cerca de R$ 1 milhão por mês.

Entre os integrantes identificados estão o policial federal aposentado Marilson Roseno e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que tentou suicídio horas depois de ser preso e morreu dias depois.

As investigações da Operação Compliance Zero apontam episódios de ameaças a ex-funcionários, pessoas próximas ao banqueiro e jornalistas, ampliando a preocupação com a segurança de quem conduz o processo.

Com a manutenção das prisões e a extensão do inquérito, Mendonça indicou que a investigação deve se prolongar e envolver novos alvos, reforçando seu alerta sobre possíveis riscos pessoais.

Com informações de Gazeta do Povo