Seul (Coreia do Sul) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cobrou nesta segunda-feira (23) a redução de barreiras sanitárias impostas pela Coreia do Sul a produtos agropecuários brasileiros e destacou a capacidade do país em suprir a demanda sul-coreana por proteínas animais.
Em discurso no encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, na capital Seul, Lula afirmou que “o Brasil é grande vendedor de carne, frango, carne suína e ovos”, e ironizou: “Se comprarem carne dos Estados Unidos, da Austrália ou da Nova Zelândia, provavelmente já estarão comprando carne brasileira”.
O apelo ocorreu durante o primeiro dia oficial da visita presidencial ao país asiático, marcada ainda pela assinatura de dez acordos bilaterais nas áreas de comércio e exploração de minerais críticos. Os documentos foram firmados ao lado do ministro sul-coreano do Comércio, Indústria e Recursos, Kim Jung-kwan, e do presidente Lee Jae Myung.
Defesa do multilateralismo
Lula também defendeu um acordo entre a Coreia do Sul e o Mercosul e criticou o avanço de pactos unilaterais, citando de forma indireta os Estados Unidos. “Não há justificativa para o retorno do protecionismo que dificulta o crescimento das economias”, declarou.
Comércio e investimentos
O intercâmbio comercial entre Brasil e Coreia do Sul somou US$ 10,8 bilhões em 2025, com superávit de US$ 174 milhões para o lado brasileiro. Desde 2024, empresas sul-coreanas destinaram aproximadamente US$ 8,8 bilhões a projetos no Brasil, tornando o país o maior destino de investimentos coreanos na América Latina. O estoque total desses aportes é estimado em US$ 9 bilhões.
Novas frentes de cooperação
Os dois presidentes anunciaram um plano de quatro anos para ampliar parcerias em setores de alta tecnologia, como semicondutores e inteligência artificial, além das indústrias de beleza e audiovisual. Lula citou o crescimento de 25% do turismo brasileiro na Coreia do Sul nos últimos anos e mencionou fenômenos culturais de ambos os países, “do funk ao K-Pop e dos K-Dramas às telenovelas”.
Com informações de Gazeta do Povo