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Urnas com 1,2 mil cédulas da eleição peruana aparecem em lixo de rua em Lima

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Três caixas contendo aproximadamente 1,2 mil cédulas usadas nas eleições gerais do Peru, realizadas no domingo (12) e na segunda-feira (13), foram achadas abandonadas como lixo em uma esquina de Lima. O material deveria permanecer guardado até a proclamação oficial do resultado pelo Júri Nacional de Eleições (JNE).

As urnas, pertencentes a três seções eleitorais do distrito de Surco, foram levadas ao ar na noite de terça-feira (14) pelo programa Beto A Saber, do canal Willax. Durante a transmissão, policiais entraram no estúdio e assumiram a custódia das caixas.

Extravio durante o transporte

Segundo Claudia Sandoval, responsável pelo distrito de Surco no Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), o material se perdeu enquanto era transferido dos locais de votação para um armazém. O motorista encarregado do transporte não atendeu às solicitações para devolver as caixas.

Suspeitas de fraude e recompensa

O conservador Rafael López Aliaga, candidato à Presidência, ofereceu recompensa de 20 mil sóis (cerca de R$ 29 mil) a funcionários do ONPE, do JNE ou de empresas terceirizadas que apresentem provas concretas de irregularidades, fraude ou sabotagem no pleito.

Crises e prisões no órgão eleitoral

Na segunda-feira (13), o gerente de gestão eleitoral do ONPE, José Samamé Blas, foi preso após assumir a responsabilidade por atrasos na entrega de material no domingo e apresentar renúncia ao diretor do órgão, Piero Corvetto. No mesmo dia, o procurador do JNE, Ronald Angulo, ingressou com queixa-crime contra Corvetto e também denunciou Juan Alvarado Pfuyo, representante da terceirizada Galaga S.A.C., além de três funcionários do ONPE, entre eles Samamé.

Apuração apertada

Com 93,2% das urnas contabilizadas, a apuração divulgada na quarta-feira (15) mostrava Keiko Fujimori na frente com 17,1% dos votos. O esquerdista Roberto Sánchez aparecia em segundo, com 12%, enquanto López Aliaga tinha 11,9%—diferença de cerca de 6 mil votos.

Na quinta-feira (16), a agência EFE informou que a Justiça Eleitoral analisava mais de 5,2 mil atas impugnadas por inconsistências, processo que definirá quem irá ao segundo turno contra Fujimori.

Os questionamentos sobre a lisura da eleição se somam a falhas logísticas verificadas no domingo, quando a ausência de urnas em diversos locais impediu mais de 63 mil eleitores de votar, obrigando a extensão da votação até segunda-feira.

Com informações de Gazeta do Povo