O perfil oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no X (antigo Twitter) manteve interação pública com a página Choquei, administrada por Raphael Sousa, detido pela Polícia Federal na manhã de 15 de abril de 2026. A operação investiga um esquema internacional de lavagem de dinheiro que teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão por meio de criptoativos.
Mensagens recuperadas por internautas mostram que, em dezembro de 2021, o perfil da Choquei agradeceu a Lula por ter recebido um “follow back”. O presidente respondeu com um emoji de punho cerrado. Na rede social, a Choquei soma 9,4 milhões de seguidores.
Operação e outros detidos
Além de Sousa, a PF prendeu os funkeiros MC Ryan SP e Poze do Rodo. Eles são suspeitos de integrar a organização criminosa acusada de movimentar os valores ilícitos.
Laços com integrantes do governo
A página manteve relacionamento próximo com o governo durante a pandemia de Covid-19, atuando como contraponto a conteúdos considerados negacionistas. A primeira-dama Rosângela Silva, a Janja, enviou material exclusivo ao perfil durante a campanha de 2022 e convidou Sousa para acompanhar, em cima do carro de som, o discurso de vitória de Lula após o segundo turno.
Em entrevista anterior, Sousa declarou que sua equipe era “pró-Lula” e que a atuação do perfil pode ter contribuído para a eleição do petista, embora tenha atribuído o engajamento sobretudo à oposição ao então presidente Jair Bolsonaro.
Publicações controversas
Além de cobrir reality shows e celebridades, a Choquei veiculou boatos favoráveis a Lula. Um deles mencionou falsamente que a ex-ministra Damares Alves teria pedido a Jair Bolsonaro o veto à entrega de leitos de UTI e água potável a indígenas, postagem que alcançou mais de 2 milhões de usuários.
Posicionamento da defesa
Em nota, o advogado Pedro Paulo de Medeiros afirmou que Sousa apenas prestava serviços publicitários por meio de sua empresa, responsável pela venda de espaço de divulgação digital. Segundo a defesa, os valores recebidos referem-se a “atividade lícita e regularmente exercida”, sem participação em organização criminosa.
Com informações de Gazeta do Povo