Brasília — O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), ironizou nesta quarta-feira (22) o modo de falar do governador mineiro e pré-candidato à Presidência pelo Novo, Romeu Zema. Durante entrevista ao programa JR Entrevista, da TV Record, o magistrado afirmou que Zema “fala um dialeto próximo do português” e comparou o sotaque a línguas do Timor-Leste, como o tétum.
“Ele fala um dialeto próximo do português. Muitas vezes a gente não entende. Eu estava imaginando que ele fala uma língua lá do Timor-Leste”, disse Gilmar. O ministro acrescentou que, “naquilo que for inteligível”, caberia à Procuradoria-Geral da República, à Polícia Federal e ao ministro Alexandre de Moraes analisarem as declarações do político.
A fala provocou reação imediata de Zema. Em postagem na rede social X (antigo Twitter), o governador afirmou que o problema não é o ministro deixar de compreender seu sotaque, mas sim os brasileiros não entenderem “os atos do STF”. “O linguajar de brasileiros simples como eu é diferente do português esnobe dos intocáveis de Brasília”, escreveu.
Zema acusou ainda Gilmar Mendes de “recorrer ao autoritarismo para calar quem critica o comportamento de ministros do Supremo” e declarou que a sociedade “não vai mais aceitar” esse tipo de postura. O governador, que passou a chamar os magistrados de “intocáveis” em suas redes, vem adotando tom de deboche desde que foi incluído no inquérito das fake news por causa de um vídeo satírico.
O pedido para investigar Zema foi apresentado pelo próprio Gilmar Mendes, por meio de notícia-crime encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes. A legenda do governador também reagiu. Em nota no X, o partido Novo classificou a ironia do ministro como “arrogância de quem se considera acima das leis”.
Com informações de Gazeta do Povo