Brasília — O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a criticar duramente o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado. Em entrevista concedida à CNN Brasil na sexta-feira (24/04/2026), o magistrado classificou o documento como “esquizofrênico” e afirmou que ele não aborda o tema que motivou a criação da comissão.
Segundo Mendes, o texto elaborado pelo relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), praticamente ignora facções criminosas e milícias, mas inclui ministros do STF entre os investigados. “O relatório não dedica uma linha ao problema do crime organizado”, destacou. O ministro chegou a levantar a hipótese de o parlamentar estar recebendo apoio financeiro de organizações criminosas, diante do direcionamento adotado pela comissão.
A declaração provocou resposta imediata de Alessandro Vieira. Em nota, o senador disse que o magistrado fez insinuações graves ao sugerir possíveis vínculos seus com o crime organizado e classificou a fala como um ataque pessoal. Vieira acrescentou que continuará a defender as apurações da CPI e cobrou esclarecimentos do ministro sobre pontos do relatório que tratam, entre outros temas, do uso de aeronaves privadas por autoridades e de contratos envolvendo familiares de integrantes do STF.
Durante a entrevista, Gilmar Mendes também debateu os limites da imunidade parlamentar. Para ele, a proteção não pode ser utilizada para acobertar ofensas contra agentes públicos no exercício da função. O ministro citou casos em que autoridades da Polícia Federal teriam sido alvo de discursos ofensivos na tribuna sem possibilidade de resposta.
Mendes ainda defendeu a manutenção do inquérito das fake news no Supremo. De acordo com o ministro, os ataques contra a Corte que motivaram a abertura da investigação em 2019 continuam em curso, o que justificaria a continuidade do procedimento.
Ao final, o ministro recordou que o Código de Ética da Magistratura foi aprovado quando presidiu o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ressaltou a necessidade de cautela no trato de informações dentro do tribunal.
Com informações de Gazeta do Povo