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PF aponta que assessoria do Banco Master escreveu emenda de Ciro Nogueira para ampliar cobertura do FGC

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Brasília — Relatório da Polícia Federal (PF) citado em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), indica que a chamada “emenda Master”, assinada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), foi redigida pela assessoria do Banco Master.

A conclusão aparece na ordem de busca e apreensão cumprida na residência do parlamentar. Segundo a PF, o texto chegou a Ciro em envelope enviado pelo banco. Após a proposta ser protocolada em 2024, o proprietário da instituição, Daniel Vorcaro, comemorou em mensagem: “saiu exatamente como mandei”.

O que previa a “emenda Master”

A emenda nº 11 integrava uma proposta de emenda à Constituição (PEC) que reforça a autonomia do Banco Central. O dispositivo pretendia elevar de R$ 250 mil para R$ 1 milhão o limite de ressarcimento do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a investidores em caso de liquidação de instituições financeiras.

Interlocutores ouvidos pela PF estimaram que, com a mudança, o lucro do Banco Master poderia “sextuplicar”, graças à maior atratividade de aplicações garantidas pelo FGC. O relatório fala em possível “hecatombe” no sistema financeiro caso a alteração fosse aprovada.

Tramitação e reação no Congresso

Em fevereiro de 2026, o deputado Eduardo Velloso (Solidariedade-AC) apresentou projeto de lei para proibir o uso do FGC como apelo publicitário. A matéria está na Comissão de Defesa do Consumidor, sob relatoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).

No Senado, o relator da PEC na Comissão de Constituição e Justiça, senador Plínio Valério (PSDB-AM), rejeitou a emenda. Ele argumentou que o atual limite de R$ 250 mil já cobre mais de 99% dos depositantes e cerca de 50% dos valores investidos, porcentual semelhante ao de outros países.

Pagamentos e vantagens investigadas

A PF também menciona envelopes com outras minutas de projetos supostamente recolhidos por Vorcaro na casa de Ciro para esconder a origem das propostas. Como contrapartida pela articulação legislativa, o senador teria recebido:

  • mensalidades entre R$ 300 mil e R$ 500 mil;
  • cartão corporativo para despesas pessoais;
  • custos de hospedagem e refeições em hotéis e restaurantes de luxo;
  • aquisição da empresa Green Solutions por R$ 1 milhão, apesar de avaliação de mercado de R$ 13 milhões.

Posicionamento da defesa

Por nota, os advogados de Ciro Nogueira repudiaram “qualquer ilação de ilicitude” e afirmaram que o senador está à disposição da Justiça para esclarecer os fatos. A defesa criticou as medidas de busca e apreensão, classificando-as como “graves e invasivas” e baseadas em “mera troca de mensagens” entre terceiros.

Com informações de Gazeta do Povo