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Três vilarejos atacados por pastores fulani deixam 11 cristãos mortos no estado de Plateau

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Entre 19 de abril e 3 de maio, ataques atribuídos a pastores da etnia fulani resultaram na morte de 11 cristãos e deixaram outros cinco feridos no condado de Barkin Ladi, estado de Plateau, região central da Nigéria.

Fan: cinco mortos no domingo à noite

A investida mais recente ocorreu às 21h do domingo, 3 de maio, na aldeia de Fan. O morador Bot James relatou que homens armados muçulmanos emboscaram um grupo de moradores quando estes retornavam do trabalho. O líder comunitário Rwang Tengwong confirmou o episódio em nota divulgada em Jos na segunda-feira, frisando que todos os habitantes de Fan professam a fé cristã.

Outros ataques em Kassa e Hurum

No dia 27 de abril, dois cristãos foram mortos em Kassa, outra localidade de maioria cristã. Uma das vítimas foi identificada como Gyang Choji Kim. Já em Hurum, em 19 de abril, quatro pessoas perderam a vida e cinco ficaram feridas. A moradora Florence Yohanna descreveu que “homens armados fulani” invadiram o vilarejo por volta das 22h, disparando contra os residentes.

Perseguição crescente

Segundo a Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela organização Portas Abertas, a Nigéria permanece como o país com maior número de cristãos assassinados por motivos religiosos. Entre 1º de outubro de 2024 e 30 de setembro de 2025, 3.490 dos 4.849 cristãos mortos em todo o mundo – cerca de 72% – eram nigerianos. O país ocupa a 7ª posição no ranking de maior hostilidade à fé cristã.

Contexto dos conflitos

Os fulanis, pastores nômades majoritariamente muçulmanos espalhados pela Nigéria e pelo Sahel, são compostos por diversos clãs. Embora nem todos adotem posições radicais, relatórios do Grupo Parlamentar Multipartidário do Reino Unido para a Liberdade Internacional de Crença indicam que facções entre eles vêm utilizando métodos semelhantes aos dos grupos jihadistas Boko Haram e Estado Islâmico na Província da África Ocidental (ISWAP), mirando comunidades cristãs e seus símbolos.

Líderes locais sustentam que a disputa por terras, agravada pela desertificação que afeta a criação de gado, motiva parte da violência na região Centro-Norte. Relatórios internacionais também apontam expansão de ataques para o sul do país e o surgimento de novas células extremistas, como o grupo Lakurawa, no noroeste.

Os episódios em Fan, Kassa e Hurum reforçam um cenário de insegurança que já dura anos no estado de Plateau, onde comunidades agrícolas cristãs continuam expostas a investidas armadas, sequestros e destruição de propriedades.

Com informações de Folha Gospel