Brasília — 19/04/2026, 11h27. A forma de lidar com o Supremo Tribunal Federal (STF) tornou-se o principal ponto de fricção entre o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD-GO), pré-candidato ao Planalto, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nome mais forte da direita na sucessão de 2026.
Diálogo x confronto
Caiado, que se lançou em março como alternativa conservadora “menos conflitiva”, defende diálogo institucional com o STF. Já Flávio, herdeiro do capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro, ataca o que chama de “ativismo judicial” e acusa a Corte de perseguir a direita.
Na tentativa de atrair o eleitorado tradicionalmente ligado ao PL, o ex-governador destaca experiência administrativa, histórico antipetista e compromisso com o respeito ao resultado das urnas. Sem citar o rival, critica a “política de gritaria e likes” associada ao bolsonarismo digital.
Anistia como gesto inaugural
Para não se distanciar totalmente da base bolsonarista, Caiado promete enviar ao Congresso, logo no início de um eventual governo, um projeto de anistia abrangente para Jair Bolsonaro e demais condenados pelos atos de 8 de Janeiro. A proposta, porém, é vista por analistas como pragmática e insuficiente para quem cobra revisão das decisões do STF.
Análises e riscos
O cientista político Adriano Gianturco avalia que o tom mais agressivo de Flávio é “natural” diante da prisão do pai. Ricardo Caldas, por sua vez, considera que a estratégia conciliatória de Caiado amplia interlocução, mas pode afastar o eleitor ideológico. Críticos já exploram o fato de o ex-governador ter condecorado recentemente o ministro Gilmar Mendes.
PSD aposta na direita
Ao escolher Caiado, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, desistiu da chamada terceira via e buscou ocupar espaço na direita, onde sete dos oito pré-candidatos disputam o voto conservador. A avaliação é que os votos podem se concentrar em Flávio, empurrando-o ao segundo turno.
Senado como freio ao Judiciário
No Fórum da Liberdade, em Porto Alegre, Caiado dividiu palco com o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG). Enquanto Zema defendeu até prisão de magistrados, o pessedista disse que o Senado deve conter excessos do STF, sem recorrer a termos como “ditadura” e preservando o devido processo legal.
Com informações de Gazeta do Povo