Washington (EUA) – O ex-deputado federal Alexandre Ramagem foi detido nesta segunda-feira, 13 de abril, por agentes do U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE). Embora o governo brasileiro destaque a cooperação com autoridades norte-americanas, especialistas alertam que o caso, por ora, permanece restrito ao âmbito migratório e não garante extradição imediata ao Brasil.
Condenação no Brasil e status de foragido
Ramagem foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por participação em tentativa de golpe de Estado. O ex-parlamentar deixou o país clandestinamente em setembro de 2025, cruzou a fronteira com a Guiana por Roraima e, de Georgetown, embarcou para os Estados Unidos, segundo a Polícia Federal (PF). Desde então, era considerado foragido.
Cooperação policial x processo migratório
Em nota, a PF afirmou que a inclusão do nome de Ramagem nos sistemas internacionais de busca e captura motivou a ação do ICE, resultado de “cooperação policial internacional”. No entanto, a detenção foi enquadrada como irregularidade migratória, tema tratado administrativamente pelos EUA.
A advogada Ana Bárbara Schaffert, especialista em imigração, explica que, nessas circunstâncias, a extradição exige trâmite judicial próprio: análise de pedido formal, verificação de requisitos legais e possibilidade de recursos. “São processos distintos; a prisão não assegura retorno ao Brasil”, afirmou.
Possível pedido de asilo e disputas políticas
Aliados de Ramagem sustentam que ele pretende requerer asilo político, o que poderia suspender uma deportação ou extradição. A deputada Bia Kicis (PL-DF) declarou ter recebido informação de que o caso “não tem relação com extradição” e seria “apenas uma infração administrativa”. O ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-RJ) também defendeu a legalidade da permanência do correligionário nos EUA enquanto o pedido de asilo é avaliado.
Por outro lado, governistas veem a detenção como prova de responsabilização dos envolvidos na tentativa de ruptura institucional de 2022. O senador Humberto Costa (PT-PE) lembrou que Ramagem “fugiu para os EUA no fim de 2025”, e o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que “quem atentou contra a democracia deve responder na Justiça”.
Divergência sobre a participação do Brasil
O jornalista Paulo Figueiredo, sócio da Immigrex, empresa que presta assistência à família de Ramagem, negou qualquer participação do governo brasileiro na captura. Segundo ele, a detenção decorreu de abordagem de trânsito em Orlando, Flórida, e posterior verificação migratória. Ele classificou como “procedimento padrão” da imigração norte-americana e disse esperar “liberação rápida” do ex-deputado.
Próximos passos
Para que a extradição avance, o Departamento de Estado dos EUA precisa analisar o pedido do Brasil e submetê-lo à Justiça norte-americana. Até lá, a defesa pode apresentar recursos e alegações, inclusive o pedido de asilo. Enquanto isso, Ramagem permanece sob custódia do ICE, sem prazo definido para decisão final.
Com informações de Gazeta do Povo