Brasília — 19/05/2026 — O ex-deputado federal e pré-candidato ao Senado, Deltan Dallagnol (Novo-PR), divulgou nesta terça-feira (19) uma nota oficial criticando a decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a permanência de publicações do deputado Zeca Dirceu (PT-PR) nas redes sociais afirmando que o ex-procurador da Lava Jato está inelegível.
Para Deltan, o despacho do ministro “libera fake news” e ignora o entendimento de que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não teria declarado a perda de seus direitos políticos. “O ministro Gilmar Mendes, que vive me atacando e xingando, liberou que meus opositores mintam, quando o TSE não me declarou inelegível nem cassou meus direitos políticos”, afirmou o ex-deputado na nota, chamando a postura do magistrado de “intragável”.
Origem da disputa
As publicações contestadas foram feitas por Zeca Dirceu, que apontava a suposta inelegibilidade de Dallagnol. O Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) chegou a derrubar os posts, classificando-os como desinformação. O parlamentar petista recorreu, e Gilmar Mendes, ao analisar o caso, restabeleceu o conteúdo.
Na decisão, o ministro sustentou que a declaração de inelegibilidade por oito anos, registrada pelo TSE no indeferimento da candidatura de Deltan em 2022, é um dado “objetivamente factual”, não configurando notícia falsa. Para Mendes, afirmar que o ex-deputado “segue inelegível” é amparado por elementos constantes nos autos.
Críticas ao ministro
Deltan rebateu dizendo que o magistrado “saltou instâncias” e ignorou pedidos de afastamento do processo. Ele lembrou que Mendes o chamou publicamente de “gângster, crápula e fascista” e reforçou que pretende concorrer ao Senado para, segundo ele, “conter abusos de poder”.
O ex-procurador também contestou acusações de que teria tentado desviar R$ 2 bilhões por meio de uma fundação da Lava Jato. “Nunca desviei dinheiro algum e jamais fui acusado ou condenado criminalmente por isso”, declarou.
Decisão semelhante de Flávio Dino
Na semana anterior, em 11 de maio, o ministro Flávio Dino havia revogado determinação do TRE-PR que mandou retirar do ar uma reportagem intitulada “TSE mantém inelegibilidade de Deltan Dallagnol (Novo) após análise do caso”. Dino afirmou que a remoção violava a liberdade de imprensa e que a expressão pública está protegida mesmo quando contém possíveis erros, desde que não configure crime.
Com a nota divulgada nesta terça-feira, Deltan reafirmou que recorrerá “a todas as instâncias” para contestar decisões que, segundo ele, disseminem informações falsas sobre sua situação eleitoral.
Com informações de Gazeta do Povo