Brasília — O ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL) afirmou neste sábado, 4 de julho de 2026, que o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, “está ciente de tudo o que se passa” fora de sua residência, onde cumpre prisão domiciliar humanitária desde março.
Visitas restritas e crise interna
Em publicação nas redes sociais, Carlos relatou ter visitado o pai no início da tarde. Segundo ele, Bolsonaro já havia recebido na quarta-feira, 1.º, a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e descreveu a conversa entre os dois como “muito boa e tranquila”. O ex-presidente também quis saber sobre Eduardo Bolsonaro, que permanece nos Estados Unidos.
Carlos classificou a prisão em casa como “prisão política” e criticou as limitações impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, que autorizou apenas visitas dos filhos às quartas-feiras e aos sábados, em horários pré-definidos. Advogados podem entrar diariamente por até 30 minutos; Flávio tem acesso ampliado por integrar a equipe de defesa.
Divergências com Michelle Bolsonaro
As declarações de Carlos ocorrem em meio ao agravamento da disputa envolvendo membros da família e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Dias antes, Michelle deixou o comando nacional do PL Mulher após romper politicamente com Flávio e passou a enfrentar críticas por elogiar a Política Nacional de Educação Bilíngue de Surdos, programa lançado pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Decisão de Moraes mantém regime domiciliar
Na sexta-feira, 3, Moraes manteve o regime domiciliar ao rejeitar pedido da defesa para revisar as condições da pena de 27 anos, imposta por tentativa de golpe de Estado. O ministro determinou ainda a apreensão da pistola registrada em nome de Bolsonaro e a revogação de suas demais autorizações de posse de armas; o armamento deverá ser entregue à Polícia Federal na próxima semana.
Planos eleitorais
Além das visitas ao pai, Carlos Bolsonaro articula a própria candidatura ao Senado por Santa Catarina nas eleições de outubro, movimento que integra a estratégia da família de ampliar espaço no Congresso.
Com o círculo familiar dividido e o calendário eleitoral em andamento, aliados afirmam que o ex-presidente continua monitorando as articulações da direita mesmo sem poder deixar a residência em Brasília.
Com informações de Gazeta do Povo