O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), respondeu nesta sexta-feira (24) às críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva sobre a participação de empresas estrangeiras no setor de terras raras brasileiro. Segundo Caiado, quem “está vendendo o país” é o próprio governo federal.
A troca de acusações ganhou força depois da venda da Serra Verde Mineradora — única empresa em atividade no país na extração de minerais críticos — para a norte-americana USA Rare Earth. O negócio foi estimado em R$ 13,8 bilhões.
Origem do embate
O confronto verbal começou em março, quando Caiado, ainda no cargo de governador, assinou um memorando de entendimento com o Departamento de Estado dos Estados Unidos para cooperação no setor de terras raras. O governo goiano afirma que o documento é apenas indicativo e não possui força jurídica obrigatória.
Lula, na ocasião, criticou a iniciativa ao declarar que negociações internacionais desse porte deveriam ser conduzidas exclusivamente pela União. “Essa gente vai vender o Brasil e nós não podemos permitir”, afirmou o presidente.
Críticas à política de exportação
Em Minas Gerais, Caiado devolveu a crítica. “Quem está vendendo o país é ele. Ainda estamos no comércio de pau-brasil”, disse, fazendo referência ao período colonial. Para o ex-governador, a atual política econômica mantém o Brasil como exportador de matérias-primas sem valor agregado, “vendendo nióbio e terras raras pesadas” sem desenvolver tecnologia no território nacional.
De acordo com Caiado, os minerais extraídos em Minaçu (GO) são exportados integralmente para a China, responsável pela maior parte do refino mundial desses insumos. Ele defende parcerias internacionais que permitam a venda de produtos já processados, o que, segundo ele, aumentaria a renda, traria tecnologia e ampliaria a capacidade industrial de Goiás.
Preocupação do governo federal
O memorando firmado com os Estados Unidos prevê, entre outros pontos, o compartilhamento de dados obtidos em levantamentos geológicos apoiados pelos norte-americanos. Para o governo federal, a ausência de um marco regulatório específico para terras raras no Brasil pode tornar essa cláusula um risco estratégico.
Com informações de Direita Online