A Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) solicitou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) a cassação do registro de candidatura de Márcio Canella (União), que foi o deputado estadual mais votado do Rio de Janeiro nas eleições de 2026. O pedido foi feito em um parecer emitido nesta sexta-feira (23), onde o Ministério Público alega que Canella teria nomeado líderes de milícias para cargos de destaque na Prefeitura de Belford Roxo.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa Bravo Barbosa, ressaltou que, apesar da ausência de condenação criminal contra Canella, isso não impede a análise de seus vínculos com organizações criminosas. Ele afirmou que o conjunto de provas é “suficientemente robusto” para estabelecer a ligação do deputado com as milícias.
Barbosa destacou a infiltração de lideranças milicianas na administração pública por meio de Canella e o apoio explícito que recebeu durante sua campanha. “Existem elementos seguros que demonstram a atuação de Canella como articulador de uma organização criminosa armada”, comentou o vice-procurador.
No parecer, a PGE lembrou que a Constituição proíbe partidos políticos de se associar a organizações paramilitares. Barbosa também apontou que o TSE já havia barrado outras candidaturas relacionadas a grupos criminosos para evitar a interferência dessas facções nas eleições.
A PGE ainda pediu que o TSE reconsidere a decisão que permitiu o registro de Canella. As evidências coletadas na operação Unha e Carne, que resultou na prisão do deputado no dia 15, indicam uma “estreita vinculação” com milícias na Baixada Fluminense.
Entre os citados por Barbosa, estão nomeações de pessoas ligadas à milícia para cargos na gestão de Canella, tanto na Assembleia Legislativa quanto na Prefeitura. Além disso, ele teria indicado milicianos para funções de secretários municipais, mesmo após esses indivíduos terem suas candidaturas a cargos eletivos cassadas pela Justiça Eleitoral por conta de suas ligações com o crime organizado.
A investigação aponta ainda que Canella estaria vinculado a uma organização criminosa armada que controla o setor de combustíveis no Rio de Janeiro, atuando como um elo político do grupo. Segundo o Ministério Público, o deputado recebia repasses financeiros de atividades ligadas ao tráfico de drogas, com a operação revelando movimentações de R$ 7,6 bilhões em seis anos em postos de combustíveis.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e também resultou na prisão de outras cinco pessoas, além de 16 mandados de busca e apreensão em várias cidades do estado, incluindo Rio de Janeiro, Niterói e Angra dos Reis. Moraes ainda determinou o sequestro de bens e a suspensão das atividades de 112 empresas ligadas à investigação.
Fonte: Gazeta Do Povo.









