O empresário Pablo Marçal, filiado ao PRTB, declarou que o valor de R$ 7,4 bilhões mencionado em sua declaração de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) está incorreto. Ele informou que sua equipe já solicitou a correção das informações, mas não revelou qual seria o valor correto de seu patrimônio.
A declaração foi feita no último dia do prazo legal, em 15 de agosto, juntamente com o registro de sua candidatura à presidência da República. O pedido ainda está sob análise do TSE. Marçal enfrenta condenações na Justiça Eleitoral, que resultaram em sua inelegibilidade por oito anos, até 2032, devido a irregularidades relacionadas à sua campanha para a prefeitura de São Paulo em 2024.
Com um patrimônio declarado de R$ 7,4 bilhões, Marçal se tornaria o candidato mais rico nas eleições de 2026. Em sua declaração anterior, de 2024, ele havia informado um patrimônio de R$ 169,5 milhões.
Em uma entrevista ao canal no YouTube Brasil Paralelo, Marçal expressou surpresa com o valor declarado e atribuiu a discrepância a um erro de digitação. Ele comentou: “A minha pegou de surpresa, a da candidata do PSOL que declarou R$ 2 bilhões e um Toyota de R$ 35 milhões ninguém ficou surpreso. É óbvio que foi um erro de digitação.”
Marçal também sugeriu que uma inteligência artificial poderia ajudar a identificar as inconsistências nas declarações. “Se você perguntar ao ChatGPT quais bens eu declarei em 2024 e em 2026, ele vai apontar onde está o erro”, disse.
Além disso, ele defendeu que o TSE deveria permitir a importação direta dos dados da declaração do Imposto de Renda, visando reduzir erros de digitação. A declaração apresentada por Marçal consiste majoritariamente em renda fixa e imóveis, com R$ 6.796.889.960 em renda fixa e poupança, além de R$ 490.964.726 em terrenos e imóveis.
Ainda foram reportados R$ 111.659.567 em participações societárias, R$ 13.948.313 em fundos de investimento e R$ 4.653.970 em fundos imobiliários, além de R$ 256.033 em contas correntes. O empresário mencionou que seu Imposto de Renda de Pessoa Física teve uma redução entre 2022 e 2024.
Atualmente, Marçal está inelegível por oito anos, mas sua candidatura presidencial avança após uma decisão liminar que autorizou sua saída do União Brasil e filiação ao PRTB, com data retroativa a 4 de abril, cumprindo assim o prazo mínimo de seis meses exigido pela legislação eleitoral.
Porém, a decisão tratou apenas da sua situação partidária, e agora o TSE deve avaliar o registro da candidatura para determinar se Marçal pode concorrer. Enquanto aguarda uma decisão final da Justiça Eleitoral, Marçal mantém sua condição de candidato, podendo participar de debates, realizar campanha e usar recursos do partido.
As condenações enfrentadas por Marçal estão ligadas a sua campanha municipal em São Paulo em 2024, especialmente por uma estratégia conhecida como “campeonato de cortes”, que incentivava colaboradores a criar e disseminar vídeos curtos dele nas redes sociais, com premiações para os responsáveis pela edição e distribuição do conteúdo. O juiz Antonio Maria Patiño Zorz, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, considerou essa estratégia um abuso de poder político e econômico, resultando na inelegibilidade de Marçal por oito anos. A defesa recorreu, mas o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) rejeitou os recursos por unanimidade em 5 de agosto.









