Brasília — 23/07/2026, 17h30. A eleição de Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como “Ollie”, para a presidência do Conselho de Administração da Vale, ocorrida na quarta-feira (22), provocou reação imediata de parlamentares contrários ao governo federal, que acusam o Palácio do Planalto de interferir na mineradora privatizada nos anos 1990 e preparam um pedido de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados.
O movimento foi viabilizado pelo Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), detentor de 6,8% das ações da companhia. A Previ pressionou pela saída do então presidente do conselho, Daniel Stieler, que renunciou em 6 de julho, abrindo espaço para o indicado apoiado pelo governo.
Temor de aparelhamento
Analistas veem risco de que decisões passem a priorizar agendas políticas em detrimento da rentabilidade. O cientista político Elias Tavares, da Damásio Educacional, avalia que a ingerência estatal “desestabiliza o ambiente de negócios e afeta a confiança de investidores”. Já o especialista de mercado Felippe Hermes, sócio da QR Capital, alerta que setores regulados como mineração, transporte e energia são suscetíveis a pressões quando agências dispõem de poucos recursos.
CPI em gestação
Na Câmara, a oposição, capitaneada pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS) e Evair de Melo (PP-ES), coleta assinaturas para instaurar uma CPI que investigue “abusos e pressão regulatória” do Executivo sobre a Vale. O requerimento deve ser formalizado após o recesso parlamentar.
Próximos passos e impactos
Com o conselho sob nova liderança, investidores temem que o governo force a substituição do CEO Gustavo Pimenta e detenha dividendos para financiar projetos alinhados ao Planalto. Episódio semelhante, em janeiro de 2024, quando o ex-ministro Guido Mantega foi cogitado para a presidência executiva, levou a Vale a perder R$ 14,4 bilhões em valor de mercado em dez dias.
Entre as competências do conselho estão a aprovação de investimentos, repactuação de indenizações ambientais e definição da política de distribuição de lucros — pontos considerados sensíveis pelos acionistas privados.
No governo, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, foi apontado pela CNN Brasil como articulador de votos favoráveis a Ollie, informação negada pela Esplanada. A liderança do governo na Câmara, por meio da assessoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), preferiu não comentar.
Com a presidência do conselho ocupada por um nome próximo ao Planalto e a ameaça de CPI em curso, a tensão entre Executivo, mercado e oposição deve pautar as próximas semanas no Congresso Nacional.
Com informações de Gazeta do Povo