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O Pensamento Ilusório que Levou Milhares às Ruas

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A desinstitucionalização, uma política adotada nos Estados Unidos durante a metade do século XX, resultou na transferência de pacientes com problemas mentais de hospitais psiquiátricos para cuidados domiciliares e integração comunitária. Em 1955, os hospitais psiquiátricos estaduais abrigavam 559 mil pacientes, mas esse número caiu 80% nas três décadas seguintes, com apenas cerca de 37 mil pessoas em leitos psiquiátricos atualmente, apesar da população ter mais que dobrado para 343 milhões.

As razões para a diminuição no número de pacientes incluem a esperança médica de que novas abordagens pudessem tratar doenças mentais com a mesma eficácia que insulina e antibióticos tratam doenças físicas. Reformadores acreditavam que a gestão humanizada da doença mental poderia ser alcançada, especialmente após as condições muitas vezes brutais em asilos. Contudo, essa crença foi acompanhada por um otimismo político que favorecia o fechamento de instituições em detrimento de um sistema de saúde mental mais eficaz.

No final dos anos 1950, Harry Solomon, então presidente da Associação Psiquiátrica Americana, defendeu a liquidação rápida dos hospitais psiquiátricos. Esse movimento foi impulsionado por uma onda de anti-institucionalismo que varreu a sociedade americana nos anos 60, com críticos como Thomas Szasz argumentando que os rótulos psiquiátricos eram formas de controle social.

Contudo, essa transformação não ocorreu sem consequências. A nova abordagem de saúde mental, que prometia integrar os anteriormente institucionalizados à sociedade, não levou em consideração as necessidades complexas de muitos pacientes. Muitos deles não tomaram a medicação necessária, devido à falta de supervisão e à condição conhecida como anosognosia, que os impede de reconhecer sua própria doença.

Como resultado, muitos ex-pacientes se tornaram parte da população de rua, levando a uma crise de saúde mental que se reflete nas ruas das cidades americanas. A Associação Psiquiátrica Americana, em 1984, reconheceu que a desinstitucionalização e o fechamento dos hospitais psiquiátricos foram uma “tragédia social” que resultou em uma grande quantidade de pessoas vulneráveis vivendo em condições precárias.

Em 1987, o New York Times descreveu a situação de pessoas sem-teto, muitas das quais haviam sido liberadas de hospitais psiquiátricos, como um símbolo do fracasso das políticas de saúde mental. A falta de apoio e a negligência de suas necessidades resultaram em um aumento significativo de pessoas vivendo nas ruas, sem acesso aos cuidados necessários.

Assim, o que começou como uma tentativa de humanizar o tratamento de doenças mentais se transformou em uma crise que deixou muitos à mercê das ruas, em meio a uma luta constante por reconhecimento e ajuda.

Fonte: Christianity Today.

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