Durante participação no Mais Forte Podcast, apresentado por Karina Bacchi, a cantora e líder de louvor Ana Paula Valadão afirmou que a Igreja ainda enfrenta dificuldades para acolher fiéis com transtornos psicológicos. Segundo ela, problemas de saúde mental continuam cercados por tabus e preconceitos dentro dos ambientes cristãos.
“A Igreja pode ser um lugar muito cruel para quem tem algum tipo de doença mental”, declarou. De acordo com a cantora, diagnósticos psiquiátricos costumam ser atribuídos à falta de fé ou a uma vida em pecado, o que levaria esses cristãos a serem vistos como “de categoria menor”.
Valadão comparou a reação a doenças físicas e emocionais. “Se o crente tem dor de dente, toma remédio e ninguém questiona. Mas, se a enfermidade afeta o emocional ou o raciocínio, logo dizem que falta fé”, criticou.
Demônio ou desequilíbrio químico?
A artista, que já enfrentou depressão, apontou que muitos fiéis recebem o rótulo de possuídos por demônios quando apresentam sintomas de transtornos mentais. “Tem gente dizendo que autismo é demônio. Não tem nada disso”, pontuou.
Ela lembrou que, nas Escrituras, Jesus associou enfermidades a diferentes causas, incluindo pecado, ação demoníaca e propósito divino, como no caso do cego de nascença citado em João 9. “Também há exemplos como o de Jó, homem íntegro que passou por provações sem que fosse culpa sua”, acrescentou.
Tratamento e fé caminhando juntos
Valadão contou que buscou ajuda profissional para superar a depressão, combinando medicação, terapia, exercícios físicos e mudanças na alimentação. “Meu marido marcou a primeira sessão e isso me ajudou muito”, relatou.
A cantora defendeu que a abordagem espiritual deve andar ao lado dos cuidados médicos. “O corpo é tão sagrado quanto o espírito; precisamos usufruir da sabedoria que Deus deu aos homens também na área da saúde mental”, concluiu.
Com informações de Guiame