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Famílias cristãs ficam três semanas sem água e emprego em 32 vilarejos de Chhattisgarh

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NOVA DÉLHI, Índia – Mais de 180 famílias cristãs distribuídas por 32 vilarejos do distrito de Kanker, no estado de Chhattisgarh, enfrentam há três semanas a proibição de usar fontes de água comunitárias e de acessar programas de trabalho do governo.

Moradores relataram que rios, lagos, poços e torneiras foram bloqueados após recusarem abandonar a fé cristã. Em paralelo, líderes locais teriam vetado a participação dessas famílias no programa federal de emprego Mahatma Gandhi National Rural Employment Guarantee Act (MGNREGA) e na coleta e venda de produtos florestais, principal fonte de renda da região.

Restrições detalhadas

Segundo denúncias enviadas por organizações civis, 26 famílias foram impedidas de retirar água de poços ou cursos d’água, 41 perderam vagas no MGNREGA e mais de 100 deixaram de colher folhas de tendu, utilizadas na fabricação de cigarros locais. A madeira de cozinha de quatro famílias também teria sido confiscada.

Moradores temem que, com a chegada do período de chuvas, sejam impedidos de plantar, cuidar das lavouras ou colher produtos como a resina lac das árvores.

Pressão por reconversão

Líderes comunitários afirmam que os boicotes buscam forçar fiéis a participar de cerimônias de Ghar Wapsi, termo usado para designar a reconversão ao hinduísmo. Episódios anteriores de tensão já haviam resultado em resoluções locais que restringiam enterros cristãos e a entrada de pastores na região.

Queixas formais

A Progressive Christian Alliance e a Jila Masih Astha Samaj apresentaram queixas à administração distrital e à polícia, denunciando cortes de água e ameaças. Até o momento, moradores afirmam que ainda não houve intervenção efetiva das autoridades para restabelecer serviços essenciais.

O distrito de Kanker é majoritariamente tribal e depende da coleta de produtos florestais não madeireiros para subsistência e geração de renda. Entre os itens colhidos estão flores e sementes de mahua, chironji, amla, tamarindo, mel e bambu.

Sem acesso a recursos naturais e oportunidades de trabalho, as famílias afetadas relatam dificuldades crescentes para garantir alimentação e renda enquanto aguardam resposta das autoridades locais.

Com informações de Folha Gospel