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Estudo projeta alta de R$ 985 bilhões na conta de luz brasileira até 2050

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Brasília — Decisões recentes do governo federal e do Congresso podem acrescentar R$ 984,8 bilhões às tarifas de energia elétrica pagas pelos brasileiros até 2050, aponta levantamento da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) divulgado nesta sexta-feira (31/05/2026).

O cálculo considera despesas que serão incorporadas gradualmente às faturas, como compromissos com a usina de Itaipu, prorrogação de incentivos a fontes renováveis e contratação obrigatória de usinas térmicas para garantir o abastecimento em momentos de ponta de consumo.

Principais componentes do custo

Segundo a FNCE, oito medidas concentram quase todo o impacto:

  • MP 1.212 – prorrogação de subsídios para projetos de energia renovável: R$ 112,5 bilhões
  • Despesas adicionais com Itaipu: R$ 21,1 bilhões
  • MP 1.232 – pacote de recuperação da Amazonas Energia: R$ 14 bilhões
  • Acordo do Plano de Continuidade do Setor (PCS): R$ 9 bilhões
  • Incentivos a eólicas offshore (“jabutis”): R$ 197 bilhões
  • MPs 1.300 e 1.304 – contratação de térmicas e compensações a renováveis: R$ 114,6 bilhões
  • 2º Leilão de Reserva de Capacidade (2026): R$ 515,7 bilhões
  • 3º Leilão de Reserva de Capacidade (2026): R$ 978,6 milhões

Desafios operacionais

O estudo ressalta ainda as dificuldades causadas pela rápida expansão da geração solar distribuída. Como a produção dos painéis cai ao entardecer, o Operador Nacional do Sistema (ONS) recorre a usinas térmicas de acionamento rápido para equilibrar oferta e demanda — solução mais cara que, posteriormente, é repassada ao consumidor.

Posicionamento do governo

O Ministério de Minas e Energia contestou a projeção, afirmando que a metodologia da FNCE não considera benefícios das políticas públicas, como aumento da segurança energética, estímulo a investimentos e diversificação da matriz elétrica.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia defende mudanças regulatórias para conter encargos e impedir que novos custos se instalem de forma permanente nas contas de luz.

Com informações de Gazeta do Povo