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Escassez e repressão elevam risco para cristãos em Cuba

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A crise humanitária que se aprofunda em Cuba tem atingido com maior intensidade as comunidades cristãs, expostas à falta de alimentos, longos apagões e vigilância estatal constante. Pastores relatam que as igrejas, mesmo com recursos limitados, tornaram-se ponto de socorro para famílias que lutam para sobreviver.

Fome ultrapassa patamares do “Período Especial”

A escassez de comida, impulsionada por inflação acelerada, restrições econômicas e instabilidade no fornecimento de energia, já supera a dificuldade vivida nos anos 1990. “Não temos o que comer. Tudo está extremamente caro. Os preços dobraram”, descreveu o pastor Edgar. Em várias localidades, itens básicos como pão só chegam às crianças, e o sistema de racionamento falha em suprir a demanda. Segundo o Observatório Cubano de Direitos Humanos (OCDH), sete em cada dez cubanos deixam de fazer três refeições por dia.

Apagões diários paralisam serviços essenciais

Desde 2025, cortes de energia de 12 a 20 horas se tornaram rotina. Na zona rural, o pastor Ferney relata que a população voltou a cozinhar com lenha: “A energia fica desligada quase o dia inteiro. Quando volta, é por poucas horas e não é suficiente”. A interrupção do fornecimento elétrico compromete também o abastecimento de água, que em algumas áreas ocorre apenas a cada quinze dias.

Monitoramento e punições a líderes religiosos

Em meio à crise, o governo intensificou a repressão. O OCDH registrou, em um único mês, mais de 200 atos como ameaças, detenções arbitrárias e assédio. “Eles monitoram o que digo. Sinto que estou sendo observado o tempo todo, mesmo quando falo apenas sobre Deus”, disse o pastor Luis.

Jovens cristãos entre os principais alvos

A perseguição ganhou força após recentes protestos antigoverno. Jonathan Muir foi preso por suspeita de sabotagem depois de atender a uma convocação oficial; seu pai, o pastor Elier Muir Ávila, foi liberado. Outros jovens que se manifestaram nas redes tiveram casas revistadas e equipamentos apreendidos. Uma cristã de 20 anos resumiu o clima: “Orem por mim e por minha mãe. A repressão é constante, e sem comunicação ficamos ainda mais vulneráveis”.

Pedido global de intercessão

Diante do cenário, pastores cubanos conclamam a comunidade internacional a orar. “Cuba precisa de mudança, mas não esperamos isso do governo. Confiamos somente em Deus”, afirmou Ferney, pedindo força para perseverar enquanto o país enfrenta escassez, apagões e vigilância.

Com informações de Folha Gospel