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China solta nove fiéis da Igreja Zion, mas líderes continuam presos por suposta fraude

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Nove membros da Igreja Zion recuperaram a liberdade na China depois de passarem mais de oito meses detidos. A soltura ocorreu na sexta-feira, 19, quando expirou o prazo máximo de investigação previsto na legislação chinesa. Eles deixaram o centro de detenção de Beihai, na Região Autônoma de Guangxi, e foram recebidos por familiares e fiéis, aparentando boa saúde física e mental.

Rede doméstica sob pressão desde 2018

A libertação representa um alívio parcial para uma das maiores redes de igrejas domésticas do país, fechada oficialmente em 2018. Desde então, a denominação enfrenta sucessivas ações policiais. O episódio mais recente aconteceu em outubro de 2025, quando cerca de 30 religiosos foram detidos em operações noturnas simultâneas em várias cidades.

Quem saiu da prisão

Foram soltos:

Sun Cong, Liu Jiang, Li Shengjuan, Wei Yunfei, An Mei, Zhan Ge, Hu Yanzi, Mei Liming e Zhu Mingli.

Organizações que monitoram a liberdade religiosa, como a ChinaAid, consideram o ato um “desenvolvimento bem-vindo”. O presidente da entidade, Bob Fu, atribuiu a liberação às contínuas orações e à mobilização internacional.

Líderes ainda enfrentam acusações graves

Enquanto os nove fiéis voltam para casa, os principais pastores e anciãos permanecem sob custódia, agora formalmente denunciados por “operações comerciais ilegais” e “fraude”. Entre os alvos estão o fundador Ezra Jin Mingri e os pastores Wang Lin, Gao Yingjia, Yin Huibin, Liu Zhenbin, Lin Shucheng e Wang Cong, além do ancião Wang Zhong e de Wu Qiuyu.

Todos foram transferidos para a Procuradoria do Povo do Distrito de Yinhai, em Beihai, onde a ação penal está sendo formalizada. Advogados da igreja relatam dificuldade para acessar os autos e preparam defesa baseada na inocência dos acusados.

Igreja nega irregularidades

Em nota pública, a Igreja Zion “nega categoricamente” que seus treinamentos bíblicos constituam atividade comercial e sustenta que as ofertas recebidas são doações voluntárias. A denominação pede o arquivamento do processo e reforça o apelo ao respeito à liberdade religiosa garantida pela Constituição chinesa.

Histórico, números e repercussão internacional

Fundada em 2007 pelo pastor Ezra Jin Mingri, a Zion alcançou cerca de 10 mil membros distribuídos por 40 cidades. Em setembro de 2018, a sede em Pequim foi fechada após a liderança se recusar a instalar câmeras de vigilância no templo.

A pressão sobre a igreja gerou críticas fora da China. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, exigiu a libertação dos líderes, classificando a repressão como sinal da “hostilidade do Partido Comunista Chinês contra cristãos que se reúnem em igrejas não registradas”. Ex-autoridades norte-americanas, como Mike Pence e Mike Pompeo, também condenaram as prisões.

Na Lista Mundial da Perseguição 2026, elaborada pela missão Portas Abertas, a China ocupa o 17º lugar entre os países onde os cristãos enfrentam maior hostilidade.

Por enquanto, não há previsão para a conclusão do processo contra os líderes, que seguem detidos enquanto a equipe jurídica tenta acesso completo às acusações.

Com informações de Folha Gospel