Brasília – O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou nesta segunda-feira, 1º de junho de 2026, que viajará aos Estados Unidos nos próximos dias para tentar blindar instituições financeiras brasileiras e o sistema de pagamentos instantâneos PIX de eventuais sanções norte-americanas.
A missão foi motivada pela decisão do governo Donald Trump de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais. Segundo Durigan, esse enquadramento expõe bancos do país a punições do Tesouro dos EUA caso haja suspeita de movimentação financeira ligada às facções.
“Basta uma alegação de que determinado banco possui contas do PCC para que a autoridade norte-americana imponha sanções e bloqueie o acesso ao PIX”, afirmou o ministro em entrevista à rádio CBN.
Insegurança jurídica e pressão sobre o setor financeiro
De acordo com Durigan, a nova classificação já levou instituições brasileiras a reforçar controles internos. O receio é que qualquer vínculo indireto com membros das facções resulte em restrições de operação no exterior.
O ministro também relacionou o tema a uma investigação comercial aberta pelos Estados Unidos com base na Seção 301, que questiona o PIX sob o argumento de distorções competitivas que dificultariam a entrada de empresas americanas no mercado brasileiro. Ele rebateu as críticas, alegando falta de embasamento técnico. “O PIX é o maior símbolo de soberania financeira do Brasil”, pontuou.
Viagem de Flávio Bolsonaro entra no debate
Durigan mencionou ainda a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington. Lá, o parlamentar se reuniu com o secretário de Estado, Marco Rubio, e com o presidente Donald Trump, recebendo deles apoio à designação do PCC e do CV como organizações terroristas. O Planalto tem advertido sobre possíveis impactos econômicos de interferências externas em assuntos internos.
“Estamos respondendo com diplomacia e contatos bilaterais, mostrando que essas alegações não têm fundamento técnico”, disse o ministro.
Apesar das preocupações, Durigan assegurou que não existe ameaça concreta ao funcionamento do PIX e destacou que a prioridade é manter a estabilidade do Sistema Financeiro Nacional enquanto se amplia a cooperação internacional no combate ao crime organizado.
Com informações de Gazeta do Povo