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Fraternidade São Pio X recorre ao Vaticano e paralisa, por ora, decreto de excomunhão

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Cidade do Vaticano – A Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) protocolou em 11 de julho um recurso no Dicastério para a Doutrina da Fé contra o decreto que declarou o grupo em cisma por ordenar quatro bispos sem autorização do papa. O pedido, divulgado em nota oficial em 13 de julho, foi apresentado nove dias depois da publicação da penalidade.

Segundo a fraternidade, a iniciativa busca “exercer o direito, reconhecido pela Igreja, de solicitar a revisão de um ato administrativo considerado prejudicial”, mantendo “respeito à autoridade eclesiástica” e “fidelidade à justiça, à verdade e ao bem da Igreja”.

O documento invoca o Cânone 1353 do Código de Direito Canônico, que concede efeito suspensivo a recursos contra decretos que imponham ou declarem penas. Dessa forma, a execução da excomunhão fica temporariamente paralisada até a análise do caso.

Próximos passos

A FSSPX informou que o recurso é a etapa preliminar antes de eventual apelação hierárquica. “A fraternidade confia este processo às orações de todos os fiéis”, acrescenta a nota.

A movimentação ocorre após carta aberta ao papa Leão XIV, publicada em 3 de julho, na qual o grupo contestou as novas excomunhões, classificando-as como “injustas e inválidas”.

Histórico de tensões

Fundada em 1970 pelo arcebispo francês Marcel Lefebvre, a FSSPX se dedica à preservação da liturgia anterior ao Concílio Vaticano II e contesta aspectos conciliares sobre ecumenismo, liberdade religiosa e colegialidade.

Lefebvre foi excomungado em 1988 após consagrar quatro bispos sem permissão de São João Paulo II. A pena foi suspensa por Bento XVI em 2009. Dois dos bispos então consagrados — Alfonso de Galarreta e Bernard Fellay — participaram da ordenação recente e voltaram a ser excomungados.

Apesar de alertas do Vaticano e de uma carta pessoal de Leão XIV em 30 de junho pedindo que o grupo desistisse das sagrações, a FSSPX prosseguiu com as ordenações. O superior-geral da fraternidade é o padre italiano Davide Pagliarani.

Dimensão atual e repercussão

Dados da própria fraternidade indicam, em 1.º de dezembro de 2025, a existência de 733 sacerdotes de 50 nacionalidades, além de seis bispos, com média de 47 anos de idade.

O Cânone 751 define cisma como “recusa de submissão ao Sumo Pontífice ou de comunhão com os membros da Igreja a ele sujeitos”, cuja punição ordinária é a excomunhão. Bispos do Panamá e de San Antonio (EUA) já advertiram fiéis a não participarem de missas nem receberem sacramentos ministrados por clérigos da FSSPX.

Com informações de Gazeta do Povo